
Sem dúvida a luta pelo rompimento de um paradigma tradicional que predominou durante vários séculos, imbuído por uma ciência positivista que atribuiu uma alienação sobre valores sociais e políticos e que interferiu de forma violenta na estrutura de ensino não é uma tarefa fácil. Um dos grandes problemas enfrentados em relação transdisciplinaridade a organização escolar é o conservadorismo impregnado nas práticas das Coordenadorias de Educação, na coordenação das escolas e na maioria dos professores.
Para romper com essa prática, conservadora, reacionária, ultrapassada e ditatorial é necessária como dizia Edgar Morin, “educar os educadores”, pois a figura do professor é determinante para a consolidação de uma modelo “ideal” de educação. Um dos problemas na educação é que os professores vêm sofrendo uma forte influencia do paradigma newtoniano-cartesiano que caracterizou a ciência no século XIX e grande parte do século XX. Caracterizada pela fragmentação, a prática pedagógica propõe ações mecânicas aos alunos, provocando um ensino assentado no escute, leia, decore e repita.
Uma alternativa coerente para implantação da transdisciplinaridade nas escolas seria a reeducação dos professores através de uma revolução na formação dos professores. A formação dos professores é apontada como uma das principais responsáveis pelos problemas da educação. Ainda que tenha ocorrido uma verdadeira revolução nesse campo nos últimos vinte anos, a formação deixa muito a desejar, há ainda grande dificuldade em se por em prática, concepções e modelos inovadores.
Na realidade cabe aos educadores oferecer formação docente com a preocupação de dar suporte e desencadear a reflexão com os professores sobre suas práticas pedagógicas. Os processos de investigação e de pesquisa precisam contemplar uma articulação das práticas pedagógicas dos professores, provocar a discussão da problematização e realizar concomitantemente a leitura e a reflexão crítica de textos e artigos que apresentem as abordagens inovadoras, caminhando assim a uma prática revolucionária e transdisciplinar.
Trabalhar visando à transdisciplinaridade é uma oportunidade ímpar de melhorar as formas de ensinar e de aprender, tornando-as muito mais prazerosas e eficientes. Quando tomamos consciência desse fato, a percepção e a sensibilidade nos conduzem à necessidade de transcender a especificidade disciplinar e enveredar por diferentes campos de conhecimento sem a identificação com apenas um deles.
Segundo Piaget, a interdisciplinaridade é uma forma de pensar. Ele sustentava a ideia de que a interdisciplinaridade é uma forma de chegar à transdisciplinaridade, etapa que não ficaria na interação e reciprocidade entre as disciplinas, mas alcançaria um estágio em que não haveria fronteira entre elas.
As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa. Edgar Morin não estava errado ao afirmar que “É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão”.
■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone/ celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp.
■ Nos siga no Instagram:
Clique aqui e acompanhe todas as publicações do Sistema Província de Comunicação de Tenente Portela.