
A Emater-Ascar divulgou a primeira estimativa relacionada à próxima safra de trigo no Rio Grande do Sul (RS). Para a elaboração do levantamento foram coletados dados na primeira quinzena de abril em 246 municípios que correspondem por 89% da área plantada com o grão no estado.
Conforme o Informativo Conjuntural da instituição, atualmente, os triticultores gaúchos aceleram os preparativos para a implantação da principal cultura de inverno do RS, como busca por crédito para o financiamento das lavouras.
Para a safra 2019, as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a área destinada ao trigo no estado terá aumento de 4,12%, passando de 710,1 mil hectares (contabilizados no ano passado) para 739,4 mil hectares.
Apesar do incremento tecnológico empregado na cultura no decorrer dos últimos anos, segundo a Emater-Ascar, a produtividade nesta safra reduzirá em 11,21%, ficando em 2.192 quilos por hectare contra os 2.469 quilos por hectare registrados em 2018. A perspectiva é que a produção de trigo no RS diminuirá 7,54%, caindo de 1.753,099 toneladas para 1.620.894 toneladas.
A pouca luminosidade e o clima chuvoso e úmido estão atrasando o plantio nas regiões Noroeste e Missões. As áreas implantadas na Região Celeiro apresentam boa emergência, mas com coloração amarelada devido à falta de luminosidade e alta umidade.
As oscilações climáticas, especialmente pelo excesso de chuva nas fases reprodutiva e de formação de grãos, são um dos motivos para a diminuição da produção de trigo nos últimos anos no Rio Grande do Sul. Em 2013, considerada a maior safra já colhida no estado, foram produzidas 3.351.150 toneladas, conforme dados do IBGE.
De acordo com o diretor técnico da Emater, Alencar Paulo Rugeri, essa tendência de queda há alguns anos se confirma, em razão também dos custos de produção e preços pouco atrativos para o grão. – Até porque os estoques mundiais estão altos e o consumo diminui a cada ano – avalia Alencar Paulo Rugeri.
Um dos desafios para inverter essa tendência, segundo o dirigente, é a segregação das variedades de trigo, o que vai garantir uma produção capaz de atender às demandas de mercados específicos para o cereal.