
O Relatório de Economia Bancária, elaborado pelo Banco Central (BC), revelou que a maioria dos usuários do cheque especial é da faixa de renda mais baixa, de até dois salários mínimos por mês.
Conforme o BC, 44% dos usuários do cheque especial tem renda de até dois salários mínimos. Entre dois e cinco salários mínimos, o montante de pessoas que usa essa modalidade de crédito chega a 33,5%. O relatório ainda aponta que apenas 8,8% dos usuários do cheque especial possuem renda acima de dez salários mínimos.
No documento, o Banco Central afirma que ‘o cheque especial se destaca não apenas por ser um produto com taxas de juros elevadas (média de 312,6% ao ano nas operações concedidas em dezembro de 2018), mas também pelo fato de sua oferta ocorrer de forma praticamente automática nos casos de limite de crédito pré-aprovado. Essas características proporcionam ao usuário maior facilidade, agilidade e conveniência de acesso, ao contrário de outras modalidades de crédito, tais como empréstimos e financiamentos, em que o processo de análise de risco e aprovação geralmente demanda maior tempo. Por outro lado, surge a dúvida se os usuários realmente internalizam, em suas decisões de tomada de crédito, os custos envolvidos nessa conveniência de acesso ao crédito por meio do cheque especial’.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o cheque especial, com seu custo alto, penaliza mais a parte da população de renda baixa. Ele enfatizou a importância da educação financeira para ajudar os superendividados.