
A Associação dos Credores, Amigos e Interessados no Soerguimento da Cotrijuí (ACAISC) protocolou, no Fórum de Ijuí, um documento solicitando que seja convocada uma Assembleia Geral Extraordinária para a escolha de um Conselho de Gestão da cooperativa. A ACAISC pretende que os associados definam os rumos da Cotrijuí.
Em janeiro de 2018, o Poder Judiciário determinou a intervenção na cooperativa e, desde então, é dirigida por um administrador nomeado pela Justiça. Levantamento realizado pela ex-diretoria apontou que a Cotrijuí começou a acumular dívidas a partir dos anos 2000 e que, atualmente, somam cerca de R$ 1,8 bilhão. Parte da pendência é oriunda do não pagamento aos produtores.
O plano de reestruturação da cooperativa foi debatido recentemente em um encontro que reuniu produtores rurais de várias regiões do estado, credores e deputados, além de prefeitos e vereadores de 20 municípios. Com seis mil associados ativos e capacidade estática de quase um milhão de toneladas, a Cotrijuí enfrentava um processo de auto-liquidação desde 2014, alheio à intervenção judicial.
O documento elaborado pela ACAISC determina o prazo de seis meses para que, juntamente com as assessorias jurídicas da Organização Cooperativa do Rio Grande do Sul (OCERGS) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), seja confeccionado o plano de reestruturação, revitalização e recuperação da Cotrijuí. Criada em julho de 1957, a empresa na década de 70 foi considerada a maior cooperativa da América Latina.
De acordo com o presidente da ACAISC, Edson Burmann, o processo em curso no Judiciário há 16 meses conta com centenas de assinaturas e solicita a revisão da liminar de liquidação, sem continuidade dos negócios.
– No entanto, o Judiciário se mantém insensível aos apelos e contestações dos produtores, alegando que o grupo se manteve ausente da cooperativa – reclama Edson Burmann. Ele destaca que os produtores nunca estiveram ausentes da cooperativa. – Consideramos que há muitos equívocos nas decisões do Judiciário – disse o presidente da ACAISC.
Uma das manifestações da Justiça contestada pelo grupo seria o despacho de intervenção judicial a pedido da Chinatex Grains and Oils, que, segundo Edson Burmann, não tem legalidade para solicitar essa ação.