
A crise envolvendo a Corsan, controlada pela Aegea, mobiliza lideranças no Rio Grande do Sul e expõe falhas na regulação do saneamento, especialmente pela falta de estrutura da Agergs para fiscalizar os serviços.
A mobilização ganhou força com o “Mapa da Crise da Aegea”, criado pela vereadora Marina Bernardes do município de Passo Fundo, reunindo denúncias de mais de 100 municípios. A empresa atende 317 cidades gaúchas, alcançando cerca de 6 milhões de pessoas.
As principais reclamações incluem desabastecimento, aumento de tarifas, cobranças abusivas, problemas no esgoto, falhas no atendimento e exigência de obras caras para moradores. O Ministério Público já registrou 198 procedimentos até maio de 2026.
Há casos graves, como em Encantado, onde foi recomendada a suspensão do contrato de esgoto, além de registros de falta d’água e até contaminação em cidades como Santa Maria e Estância Velha. A fiscalização é apontada como insuficiente, e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico discute mudanças nas regras para fortalecer o controle, com orientação para maior atuação dos municípios.
A crise impacta diretamente a população, com custos elevados e falhas nos serviços. Em Passo Fundo, moradores foram notificados a realizar ligações de esgoto por conta própria, afetando principalmente famílias de baixa renda. Diante disso, órgãos como Procon e Defensoria Pública ampliaram a atuação, e o tema se tornou pauta nacional, com investigações e ações em andamento.
A empresa afirma que segue as normas, realiza controle da qualidade da água, aplica tarifas conforme a legislação e prevê investir cerca de R$ 15 bilhões até 2033.
O departamento de jornalismo da Rádio Província entrou em contato com a prefeitura de Tenente Portela, na qual informou que mantém contato permanente com a Corsan/Aegea, com reuniões realizadas tanto em Porto Alegre quanto no município. As tratativas envolvem o fornecimento de água e o plano de saneamento básico local.
Entre as demandas acompanhadas diretamente pelo prefeito Rosemar Sala estão melhorias no abastecimento de água no bairro São Francisco e a resolução da fossa comunitária do bairro Mutirão. Segundo a administração municipal, questões de reparos e manutenção da rede — alvo de reclamações da população — têm recebido respostas mais ágeis da empresa.
A prefeitura também afirma que segue cobrando atenção quanto à qualidade da água e às interrupções no fornecimento. Apesar de avanços e ajustes já observados, o município destaca que permanece atento e atuante para garantir a prestação de um serviço de qualidade, conforme previsto em contrato.

(Foto: Prefeitura de Encantado)
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