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Produtores avaliam ter frota própria para fugir da tabela de fretes

ANUT afirmou que a nova política de preços aumentou o custo do transporte

Por: Editoria Local Fonte: Agência Brasil
04/08/2018 às 09h15 Atualizada em 04/08/2018 às 09h20
Produtores avaliam ter frota própria para fugir da tabela de fretes
Produtores reclamam que valor do transporte triplicou após a paralisação dos caminhoneiros (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Alguns setores produtivos, em especial do agronegócio, avaliam alternativas para transporte de suas cargas, como o aluguel e a aquisição de frota própria. A justificativa é o aumento dos custos após o tabelamento do frete, adotado pelo governo federal durante a negociação para o fim da paralisação dos caminhoneiros, no mês de maio.

O presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT), Luís Henrique Teixeira Baldez, explicou que, com a nova política de preços, o custo com o transporte, que já é elevado, triplicou de valor. – É um movimento natural das empresas. Quando há um aumento de frete, como teve com a tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres, tão forte e desproporcional, elas avaliam alternativas para reduzir o custo. Todos da associação estão analisando – afirmou o dirigente da ANUT, acrescentando que este movimento não é desejado pelas empresas, mas estão sendo forçadas a fazer isso

A Medida Provisória nº 832, de 27 de maio deste ano, institui a Política de Preços Mínimos de Frete para transporte rodoviário de cargas e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ficou responsável pela publicação da tabela, válida por seis meses. A ANTT encerrou nesta sexta-feira (03), a tomada de propostas para colher sugestões para o aprimoramento da metodologia e parâmetros para a elaboração da tabela de frete.

Luís Henrique Teixeira Baldez disse que a ANUT e seus associados são contra o tabelamento do frete, mesmo assim, encaminharam proposição de como fazer uma tabela de preços mínimos que seja mais aderente ao mercado e respeite as diferenças regionais do país. – Existem cadeias produtivas em que os produtos têm baixo valor agregado. Então, com essa tabela, tem produtos em que o frete é maior que o próprio produto. A tabela distorceu completamente o mercado – salientou o dirigente da ANUT.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), José da Fonseca Lopes, que representa os caminhoneiros autônomos, a tabela inicialmente editada pela ANTT acabou beneficiando mais as empresas de transporte.  – Claramente, está fora da realidade – disse o representante do ABCAM.

Durante a tomada de proposta da agência reguladora, a entidade apresentou uma tabela mínima de frete regionalizada para a ANTT. – É uma tabela justa, apenas para o caminhoneiro autônomo e não está envolvendo o setor empresarial – frisou José Fonseca Lopes. Ele ainda reiterou que o autônomo sempre foi o cara sacrificado pelo setor empresarial. – O autônomo precisa ter um valor justo para sobreviver. Dentro do que está sendo discutido, precisamos encontrar um consenso – enfatizou o presidente da ABCAM.

Ações na Justiça:

A medida provisória e as resoluções da ANTT que determinam o valor dos fretes acabaram contestadas no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux já analisa três ações de inconstitucionalidade sobre o tema. Ele realizará uma audiência pública no próximo dia 27 para colher informações de especialistas e, somente então, decidir sobre o assunto.

As ações foram abertas pela Associação do Transporte Rodoviário do Brasil (ATR Brasil), que representa empresas transportadoras, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As entidades alegam que a tabela fere os princípios constitucionais da livre concorrência e da livre iniciativa, sendo uma interferência indevida do governo na atividade econômica.

Segundo o presidente da ANUT, os associados vão aguardar a decisão do STF, para então avaliar as alternativas para ‘fugir do frete’, seja aquisição ou aluguel de frota.

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