
O plenário da Câmara Municipal de Vereadores recebeu, na noite desta terça-feira (24), produtores rurais, empresários e imprensa, que assistiram à palestra intitulada ‘Tendências econômicas e cenários do agronegócio’, ministrada pelo engenheiro agrônomo e professor da UCEFF Itapiranga, Lauro Luiz Somavilla. O evento foi promovido pela Sicredi de Tenente Portela.
– As tendências do agronegócio dependem de diversos fatores e, atualmente, o cenário mundial é considerado conturbado. Conflitos e interesses econômicos de países como China e Estados Unidos interferem diretamente no mercado financeiro brasileiro e trazem preocupações para os produtores rurais – afirmou o palestrante no início de sua explanação.
Renda do produtor rural:
Conforme os levantamentos exibidos pelo engenheiro agrônomo, apenas 14% da população brasileira vivem na área rural. – Para suprir as necessidades básicas, entre elas, saúde e lazer, de cada pessoa que trabalha na propriedade rural, é necessária uma rentabilidade líquida, por mês, de 2,5 salários mínimos. Quando não atinge essa renda, o produtor provavelmente precisará recorrer aos serviços públicos – ressaltou Lauro Luiz Somavilla. No mundo, 54% da população é urbana e 46% residem no campo.
PIB do Brasil:
O professor também falou sobre as oscilações do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos últimos anos. – Em 2014 e 2015, o PIB do país ficou negativo e isso pode ter contribuído até para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff – disse o palestrante. A previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2019 era de 2,5%, no entanto, deverá fechar o ano abaixo de 1%.
– A renda per capita dos brasileiros teve seu pico em 2013. O mesmo patamar somente se repetirá em 2024. Nos próximos cinco anos, o poder aquisitivo da população do país crescerá pouco – lamentou o engenheiro agrônomo. Ele complementou que neste período haverá centenas de negociações, mas ninguém vai conseguir acumular riqueza.
Produções e consumo:
Durante a palestra, Lauro Luiz Somavilla ainda falou sobre a produção de grãos, leite e carnes. Segundo ele, o Brasil tem 79,5 milhões de hectares que são cultivados atualmente e mais 170 milhões de hectares disponíveis para o agronegócio. – Nosso país tem muita terra e água. No futuro será interessante ser produtor rural. O Brasil é cobiçado em virtude desta abundância de terra e água – frisou o professor.
Em relação ao consumo de carnes, o palestrante destacou que em breve a tendência da população mundial é optar por pratos a base de peixes. – No Brasil, o consumo predominante será de frango, seguido de suíno e bovino – disse o engenheiro agrônomo, complementando que o consumo de carnes no mundo subirá 50% na década seguinte.
O professor afirmou ainda que a produção e o consumo de leite no país estão praticamente iguais, ou seja, em torno de 35 bilhões de litros por ano. – Cada brasileiro bebe uma média de 500 ml de leite diariamente – enfatizou Lauro Luiz Somavilla. Entretanto, segundo ele, o alto custo da atividade leiteira tem provocado uma diminuição significativa no número de produtores.
– Todas as produções são estimuladas pelo consumo e subsídios para produzir. Hoje se produz mais e com maior qualidade, pois os consumidores estão mais exigentes. Essas exigências acabam impactando no preço final dos produtos – finalizou o docente da UCEFF Itapiranga.
Após o término da palestra, foi servido um coquetel.