Domingo, 13 de Setembro de 2026
10°C 16°C
Tenente Portela, RS
Publicidade

Doulas ampliam humanização no fim da vida

Doulas do fim da vida oferecem apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em terminalidade e seus familiares. Complementares às equipes de s...

Por: Radar Nacional Fonte: Agência Dino
23/02/2026 às 15h23
Doulas ampliam humanização no fim da vida
FreePik

O PalliCast, podcast da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), apresentou um episódio dedicado a um tema ainda pouco conhecido no Brasil, mas cada vez mais relevante no cenário dos cuidados paliativos: a atuação das doulas do fim da vida.

Com mediação da Dra. Érika Lara, diretora de Comunicação da ANCP, o programa recebeu Glenda Agra, enfermeira, docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), integrante do Comitê de Enfermagem da ANCP e vencedora do segundo lugar do Prêmio Marcos Moraes de Pesquisa e Inovação para o Controle do Câncer, na categoria Cuidados Paliativos.

O episódio abordou o papel das doulas como figuras de apoio emocional, simbólico e espiritual a pessoas em processo de terminalidade e a seus familiares, contribuindo para ressignificar o fim da vida como um momento possível de presença, escuta, dignidade e sentido. Segundo Glenda, o conceito de doula da morte surgiu no final da década de 1990, inspirado na atuação das doulas do parto, a partir da reflexão de que o morrer, assim como o nascer, também demanda acompanhamento contínuo, acolhedor e humanizado.

As doulas do fim de vida não substituem profissionais de saúde nem realizam procedimentos clínicos. Sua atuação se dá no campo do cuidado relacional: estar ao lado, sustentar silêncios, ouvir histórias, apoiar rituais de despedida, facilitar conversas difíceis e oferecer presença contínua em um momento marcado por extrema vulnerabilidade.

Trata-se de um serviço — e não de uma profissão regulamentada — aberto a pessoas de diferentes formações, que passam por capacitação específica e aprofundamento pessoal sobre morte, luto e finitude.

Durante a conversa, Glenda compartilhou sua trajetória pessoal e profissional, marcada pela perda precoce do pai e por um luto interrompido na infância. Essa vivência a levou a buscar formação em Psicologia, Enfermagem e, posteriormente, Cuidados Paliativos, até encontrar na doulagem do fim da vida a "peça que faltava" para integrar técnica, ciência e humanidade.

"A doula ocupa um espaço que muitas vezes não é preenchido nos serviços de saúde: alguém que tenha tempo disponível para estar com o outro de forma plena, sem pressa, metas ou protocolos".

Ela destacou ainda que, embora os cuidados paliativos defendam a integralidade do cuidado, a formação acadêmica na área da saúde segue fortemente marcada pelo tecnicismo e pela centralidade dos procedimentos. "Nesse contexto, as doulas ajudam a resgatar dimensões ancestrais do cuidar, como o toque respeitoso, o olhar atento, a escuta sem interrupções e a construção de momentos simbólicos significativos no fim da vida".

O episódio também discutiu como a sociedade brasileira ainda lida com resistência ao tema da morte e, por consequência, à atuação das doulas. Segundo Glenda, o desconhecimento gera receios equivocados, como a ideia de que as doulas competem com profissionais de saúde. "Na prática, elas atuam de forma complementar, ampliando a rede de cuidado e fortalecendo vínculos entre pacientes, famílias e equipes".

Entre as práticas desenvolvidas pelas doulas estão exercícios de atenção plena, meditação guiada, música, leitura, massagem, aromaterapia, apoio nos rituais de despedida, sempre respeitando a cultura, a espiritualidade e os valores de cada pessoa. A presença contínua, muitas vezes impossível para profissionais submetidos a jornadas extenuantes, é apontada como um dos principais diferenciais dessa atuação.

Para a ANCP, o episódio reafirma o compromisso da entidade em ampliar o debate sobre modelos de cuidado mais humanos, sensíveis e integrados. "Ao trazer à tona a atuação das doulas do fim da vida, o PalliCast convida profissionais de saúde, pacientes e familiares a refletirem sobre o morrer como parte da experiência humana e sobre a importância de não deixar ninguém só nesse processo".

O programa está disponível nas plataformas digitais e integra a série de conteúdos do PalliCast voltados à qualificação do Cuidado Paliativo no Brasil.

Para ouvir o episódio nº 58, basta clicar aqui.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Imagem do Magnific/rawpixel.com
Sociedade Há 2 dias

Advogada explica direito ao auxílio-acidente do INSS

Advogada especializada em previdenciário explica critérios usados pelo INSS para reconhecer sequelas permanentes de acidentes e orienta trabalhadores sobre como identificar se têm direito ao auxílio-acidente, mesmo quando já retornaram à atividade...

Imagem gerada por IA/Magnific
Sociedade Há 2 dias

Emagrecimento após os 35 anos exige olhar além da balança

Após os 35 anos, a redução gradual da massa muscular e as mudanças hormonais podem alterar o gasto energético e dificultar a perda de peso. A Dra. Paulla Mello, médica com atuação em emagrecimento e saúde metabólica, explica por que preservar a mu...

Instituto Micheline Sarquis
Sociedade Há 2 dias

Tratamento da erisipela deve começar nos primeiros sinais

A erisipela é uma infecção bacteriana da pele e dos vasos linfáticos superficiais, mais frequente nos membros inferiores. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para reduzir o risco de complicações locais, como bolhas, abscessos e ...

Copilot IA
Sociedade Há 2 dias

Setembro Amarelo: a andropausa pesa na saúde mental do homem

Campanha nacional de prevenção ao suicídio reacende o debate sobre a saúde emocional dos homens. Especialista aponta que o declínio hormonal do envelhecimento, conhecido como andropausa, pode estar entre os fatores que agravam quadros de tristeza,...

Divulgação-arquivo/Fenasan 2026
Sociedade Há 2 dias

Comitê de Mulheres será lançado na Fenasan 2026

Lançamento oficial do Comitê de Mulheres, Meio Ambiente e Saneamento ocorrerá na Fenasan 2026. Essa iniciativa da Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESabesp) visa aumentar a presença feminina no setor de saneamento ambiental

Tenente Portela, RS
Tempo nublado
Mín. 10° Máx. 16°
Sensação
3.26 km/h Vento
91% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h35 Nascer do sol
18h27 Pôr do sol
Segunda
18°
Terça
16°
Quarta
17°
Quinta
22°
Sexta
23° 12°
Economia
Dólar
R$ 5,13 +0,10%
Euro
R$ 5,94 +0,04%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 416,958,32 -0,81%
Ibovespa
187,206,89 pts -0.56%
Enquete
...
...
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias