
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), das 180 mil escolas existentes no país, 98 mil (55%) não têm biblioteca ou sala de leitura.
Os dados foram apresentados pelo coordenador geral dos Programas do Livro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Lauri Cericato, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Ele enfatizou a importância da leitura e de um bom acervo para o desenvolvimento do aprendizado dos alunos. – Quem não lê não tem novas linguagens, não aprende. Acervo de livros de boa qualidade é essencial para a criatividade dos alunos brasileiros na educação básica – ponderou Lauri Cericato.
No debate, que foi promovido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, foi discutida a implantação de uma lei de 2010 que determina que até maio de 2020 todas as escolas brasileiras, sejam públicas ou privadas, tenham bibliotecas escolares. A lei determina que o número de livros da biblioteca deverá ser de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado.
Porém, de acordo com o presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Raimundo Martins de Lima, faltam bibliotecários para atender às milhares de escolas que ainda não tem um espaço para a leitura. – A lei estabelece o prazo para as instituições se adaptarem até 2020. Só que pouca mudança aconteceu. Poucas bibliotecas foram criadas e também no plano profissional o número de bibliotecários que foram formados pelos cursos de Biblioteconomia em todo o país chegam em torno de 21 mil profissionais bibliotecários ativos. Então, na prática, hoje, você tem um número de escolas que o mercado da Biblioteconomia não tem condições de atender por falta de profissional – ressaltou Raimundo Martins de Lima.
Em 2017, o FNDE formou um grupo de trabalho para acompanhar a implantação progressiva das bibliotecas escolares. Esse grupo é composto por servidores do FNDE, da Câmara dos Deputados, do Conselho Nacional de Educação, de universidades e outras entidades.