
Nesta segunda-feira (15), é celebrado o Dia do Professor, no entanto, o sonho de seguir na carreira de docente é cada vez menor. Conforme os censos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o Brasil tem 2,5 milhões de professores.
Um levantamento efetuado pela Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (IEDE), com base nos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), de 2015, mostra que apenas 3,3% dos estudantes brasileiros de 15 anos desejam se tornarem professores. O percentual cai para 2,4% quando se trata daqueles que querem lecionar em escolas de educação básica.
O estudo do IEDE ainda revela que a carreira de docente não atrai os alunos que têm melhor desempenho no PISA. A avaliação internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é aplicada a estudantes de 15 anos que fazem provas de leitura, matemática e ciências.
Entre os 70 países e regiões avaliados, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 65ª em matemática. Os estudantes que disseram que pretendem ser professores obtiveram 18,6 pontos a menos da média do país em matemática, 20,1 pontos a menos em ciências e 18,5 a menos em leitura.
– O que o dado brasileiro revela é o fato que a ocupação de professor está com problemas de atratividade. As pessoas que têm notas mais altas escolhem outras profissões – ressalta o professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Fábio Waltenberg. Segundo ele, o salário é um dos entraves para a escolha da profissão.
Remuneração:
De acordo com o INEP, professores de escolas públicas recebem, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos. Essa porcentagem subiu desde 2012, quando era 65,2%. Por lei, pelo Plano Nacional de Educação, esse salário deve ser equivalente ao de outros profissionais com formação equivalente até 2020.
O diretor do IEDE, Ernesto Martins Faria, salienta que três aspectos contribuem para a atratividade da profissão. – Planos de carreira para professores e educadores, ações específicas de valorização, que geram estímulo e permanência, e coesão escolar. O funcionamento da escola tem a ver com visão consistente, semelhante de gestor, coordenador pedagógico e educadores – afirmou o diretor do IEDE.