
No último domingo (7), um bebê recém-nascido, Laís Valentina de Moura Rodrigues, faleceu após mais de 12 horas de espera por uma transferência para uma unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal em hospitais do Estado do Rio Grande do Sul. A criança nasceu no Hospital de Caridade de Três Passos, na região Noroeste, em parada respiratória, sendo reanimada pela equipe médica. Apresentando um quadro de infecção, necessitava de leito na UTI neonatal por insuficiência respiratória.
A busca por um leito adequado iniciou-se por meio do sistema de Gerenciamento de Internações Hospitalares (Gerint) do Estado. Um leito em Erechim ficou disponível, mas a equipe de transporte terceirizada, que deveria se deslocar de Passo Fundo, chegou tarde demais para o transporte ser seguro devido à distância. Posteriormente, uma vaga na UTI neonatal do Hospital Vida e Saúde, em Santa Rosa, surgiu, mas a falta de transporte disponível impediu a transferência.
A tragédia evidencia a insuficiência de leitos de UTI neonatal no estado. A Associação Pró-UTI Neonatal e Pediátrica do Rio Grande do Sul aponta que, embora o estado tenha 370 vagas de UTI neonatal, o número é insuficiente diante do nascimento de cerca de 10,2 mil bebês por mês. O presidente da associação destaca a urgência de investimentos nessa área, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros.
A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que não faltam vagas em UTI neonatal no Estado, mas não forneceu informações específicas sobre o caso em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Alegou que, em alguns casos, a demanda por equipamentos específicos pode causar demora na transferência de pacientes. O incidente levanta preocupações sobre a capacidade do sistema de saúde em lidar com situações críticas e reforça a necessidade de melhorias na infraestrutura e nos serviços de saúde neonatal no Rio Grande do Sul.