
A região sul do Brasil enfrentou dias de fortes chuvas e tempestades, resultando em sérios transtornos para a população. Sob a influência do fenômeno La Niña, o estado de Santa Catarina foi um dos mais impactados, com várias cidades sofrendo inundações, destruição e perdas de vidas humanas. Após a passagem de diversas dessas tempestades na região, chegou a vez de nossas comunidades enfrentarem as consequências desse clima adverso.
No início desta semana, uma tempestade atingiu a maioria dos municípios da nossa região, trazendo consigo granizo, ventos fortes e chuvas intensas. Os estragos foram variados, incluindo inundações de rios, casas danificadas pelo granizo, destelhamento de residências, galpões, quedas de árvores e postes, deixando um rastro de destruição por onde passou.
Em Tenente Portela, o granizo causou danos a algumas residências, enquanto outras foram afetadas pelos fortes ventos. Durante a madrugada de segunda para terça-feira, os Bombeiros Voluntários estiveram constantemente em ação, respondendo a diversos chamados de socorro.
No entanto, a situação mais grave foi causada pela cheia do Rio Guarita, que atingiu várias comunidades ribeirinhas na altura da Linha da Paz. Devido ao aumento das águas, os moradores tiveram que abandonar suas casas. Um morador mais antigo da região relatou que o Rio Guarita não atingia um nível tão elevado há cerca de 30 anos.
A ponte sobre o Rio Guarita, que marca a divisa com Palmitinho, tornou-se motivo de grande preocupação. Alguns temiam que as águas subissem a ponto de interromper o tráfego, algo que nunca havia sido registrado na atual ponte. Os moradores mais antigos lembraram dos tempos em que a ponte antiga, muito mais baixa, ficava submersa durante as cheias. A ponte atual foi construída cerca de um metro acima do maior nível já atingido pelo rio, e felizmente esse marco não foi ultrapassado dessa vez.
Outra ponte, que liga Tenente Portela a Três Passos, também viu as águas se aproximarem perigosamente. Nesse local, o Rio Turvo saiu completamente de seu leito e alagou propriedades vizinhas, mas não alcançou a travessia.
Uma ponte rural de madeira que faz a divisa entre Tenente Portela e Três Passos, na Linha Navegantes, foi totalmente submersa, e a força das águas acabou levando parte da ponte rio abaixo. Essa travessia é usada por algumas comunidades e ficou completamente intransitável.
Na área de Miraguaí, uma ponte sobre o Rio Turvo, em Água Fria, que marca a divisa com Três Passos, também ficou completamente submersa e serviu de ponto de parada para várias árvores e galhos que desceram rio abaixo. No interior da região, várias travessias foram danificadas, e muitas estradas se tornaram intransitáveis. Na cidade, uma estrutura do Instituto de Educação Fagundes Varela foi derrubada pelo vento, afetando as atividades escolares.
Outros municípios da região, como Coronel Bicaco, Redentora, Humaitá, Sede Nova e Crissiumal, também sofreram danos consideráveis. Em Coronel Bicaco, moradores precisaram ser resgatados de barcos depois de ficarem ilhados devido às cheias dos rios. Em Redentora, diversas casas tiveram telhados destruídos pelo vento e granizo.
Nesta quarta-feira, as águas do Rio Guarita e do Rio Turvo já haviam recuado, mas o Rio Uruguai continuava a subir. Com uma extensão muito maior e maior potencial para causar danos, o majestoso Rio Uruguai saiu de seu leito natural e, em alguns pontos, atingiu até 14 metros acima do nível normal. Todas as travessias foram interrompidas, incluindo as que ligam Barra do Guarita a Itapiranga e as três que levam à Argentina.
Em Barra do Guarita, servidores da prefeitura e a Defesa Civil trabalharam durante a noite de terça-feira para quarta-feira, prestando assistência às comunidades afetadas. Segundo o prefeito Rodrigo Tissot, algumas famílias tiveram que deixar suas casas e buscar abrigo com parentes e amigos. Até o fechamento desta edição, os números exatos não estavam disponíveis, mas o prefeito estimava que mais de 30 famílias estavam desabrigadas.