
A evolução técnica e física está relacionada com a capacidade de mover e estabilizar simultaneamente as diferentes articulações nas distintas fases dos movimentos. Cada segmento articular apresenta uma contribuição específica dentro do sistema locomotor, exemplificando, em um agachamento é necessário apresentar mobilidade de tornozelos, estabilidade de joelhos, mobilidade de quadril, estabilidade da região lombar, mobilidade na região torácica e estabilidade na região das escápulas.
A diminuição ou perda da funcionalidade articular está relacionada à dificuldade de aprendizagem, redução na evolução, desempenho físico abaixo do potencial e sobretudo compensações e desequilíbrios músculo-esqueléticos que convergem para lesões.
A relação deve ser feita observando as articulações imediatamente acima e abaixo da região em questão, isto é, se for detectado algum padrão equivocado nos joelhos, a análise ocorrerá no tornozelo e quadril. Para favorecer a compreensão, um caso típico é a projeção dos joelhos para dentro durante o agachamento, provavelmente a origem desse padrão de movimento está associada à questões correspondentes à deficiência de mobilidade no tornozelo, quadril ou ambos, ao mesmo tempo a ativação das musculaturas na região do quadril e lombar devem ser investigadas.
Esse modelo específico das funções de cada região segue para todas as articulações. Nos momentos em que as articulações de mobilidade perdem sua característica, a próxima articulação estabilizadora será acionada a produzir uma mobilidade compensatória, diminuindo a estabilidade provocando situação favorável à lesão. Já as articulações de estabilidade tem por função promover uma situação segura para produção de força e potência, bem como permitir o correto deslocamento dos seguimentos corporais preservando os tecidos cartilaginosos, ligamentares e tendinosos. Em caso de redução da função da articulação estabilizadora o resultado será um comprometimento dos tecidos moles (cartilagem, ligamento, tendão, inflamação muscular).
O equilíbrio às funções das diversas articulações deve estar presente na programação diária, seja para manutenção ou aquisição dos parâmetros seguros e aumenta o desempenho. Seguindo este raciocínio, a falta de mobilidade no tornozelo pode resultar em dores e, em última instância, lesão num joelho. Falta de mobilidade no quadril, poderá comprometer a região lombar, tal como a falta de mobilidade na zona torácica poderá ter a mesma consequência no pescoço, ombro ou lombar.