
A construção do novo prédio do hospital das irmãs era, naquele tempo, uma das maiores obras que aconteciam na cidade.
Havia expectativa em torno dela. O canteiro reunia dezenas de trabalhadores, alguns vindos de fora especialmente para participar da construção. A empresa responsável era de Sarandi, e parte da equipe havia praticamente se mudado para Tenente Portela durante o período da obra.
Para mim havia ainda uma circunstância especial:
o hospital estava sendo construído praticamente em frente à minha casa.
Ou, para ser mais preciso, a entrada dos tapumes do canteiro ficava do outro lado da Rua Guarani.
Eu devia ter uns doze ou treze anos.
Ainda não havia entrado oficialmente no mundo do trabalho.
Isso aconteceria logo depois.
No final daquele ano, comecei num mercado de um amigo de meu pai, trabalhando como empacotador. A experiência não durou muito. A monotonia de colocar compras em sacolas não combinava exatamente com a inquietação daquele guri.
Depois virei aprendiz de rádio-técnico com o Evaldo.
E, alguns meses mais tarde, já com quatorze anos, veio finalmente a primeira assinatura na carteira profissional, na conhecida “Loja dos Turcos”.
Minha velha carteira azul foi assinada pelo saudoso Edmundo Salin. Só depois a Rádio Municipal que acabaria influindo pelo resto de minha vida.
Mas, antes de tudo isso, houve o hospital.
Aquela obra me fascinava.
Depois das aulas, sempre que podia, ficava olhando os homens trabalharem.
Primeiro de longe.
Depois um pouco mais perto.
A cada dia avançava alguns metros.
Observava os pedreiros, os serventes, o transporte dos materiais, as pilhas de madeira, o barulho dos martelos.
Até que o encarregado da obra começou a perceber minha presença.
Era um italiano vindo de Sarandi, homem de voz forte e carregada, que pouco a pouco foi simpatizando com aquele guri que aparecia todos os dias sem ter exatamente o que fazer por ali.
Certa tarde, enquanto eu observava os pedreiros a uma distância que julgava segura, ele chamou:
— Ei, bambino!
Olhei.
— Vejo você todo dia aí, sem fazer nada. Não quer trabalhar na construção?
Nem precisei pensar.
— Quero!
Para mim, aquilo parecia quase uma promoção.
O homem explicou que eu poderia começar, mas havia uma condição:
precisava pedir autorização à minha mãe.
Se ela concordasse, no dia seguinte, depois das aulas e do almoço, eu deveria me apresentar no canteiro.
Saí dali saltitando.
Corri para casa.
Fui pedir a permissão.
Se a resposta fosse negativa, tenho certeza de que começaria imediatamente uma campanha de convencimento.
Mas nem foi necessário.
Mamãe deixou.
No dia seguinte, eu estava lá.
Pronto para trabalhar na construção do hospital.
Naturalmente, ninguém entregaria uma pá, uma enxada ou um carrinho de mão pesado para um menino daquele tamanho.
Minha tarefa era outra.
E, para dizer a verdade, parecia mais diversão do que trabalho.
Sentado sobre um galão, diante de um toco de madeira, recebia pilhas de tacos de parquet que mais tarde seriam colocados no piso dos quartos.
Meu trabalho consistia em preparar aqueles tacos.
Preguinho por preguinho.
Taco por taco.
Martelo na mão.
No começo, algumas marteladas acertavam mais o dedo do que o prego.
Mas logo peguei o jeito.
Em poucos dias já havia montes de parquet preparado ao meu redor.
Quando as pilhas ficavam grandes, outro trabalhador chegava com um carrinho de mão, recolhia tudo e levava para o depósito.
E eu começava de novo.
Taco.
Prego.
Martelo.
Outro taco.
Outro prego.
Outro martelo.
Podia ser simples.
Mas eu estava trabalhando.
E isso fazia toda a diferença.
Durante alguns dias, passei a fazer parte daquela movimentação que antes apenas observava do outro lado da rua.
Portanto, posso dizer, sem exagerar muito, que fui um dos operários que ajudaram a construir o prédio de esquina do Hospital Santo Antônio.
Minha participação talvez tenha sido pequena.
Muito pequena.
Mas foi minha.
Os pisos de madeira daqueles quartos certamente já desapareceram. Com o passar dos anos, foram substituídos por materiais mais modernos, mais resistentes e mais adequados a um hospital.
Os tacos que receberam minhas primeiras marteladas também desapareceram.
Mas da minha memória não.
Porque foi ali que recebi meu primeiro pagamento.
No final da quinzena, chegou o grande momento.
Cinco mil cruzeiros.
Para mim, era uma fortuna.
Saí com aquele dinheiro na mão e a cabeça cheia de projetos.
Comecei imediatamente a fazer contas.
Quantas sessões daria para assistir no Cine Castelo?
E se sobrasse dinheiro para doces?
Refrigerante?
Alguma daquelas coisas que, normalmente, eram consideradas gastos absolutamente desnecessários pelos adultos?
Já estava praticamente vivendo como um jovem milionário quando cheguei em casa.
Minha mãe olhou o dinheiro.
Depois olhou para mim.
E decidiu rapidamente qual seria o destino daquele primeiro salário.
— Você está precisando é de roupa.
Pronto.
Terminava ali meu planejamento financeiro.
Nada de cinema.
Nada de doces.
Nada de grandes extravagâncias.
Mamãe decretou:
— Com esse dinheiro vou comprar um tecido de poliéster e mandar fazer uma camisa para você.
E fez.
O resultado de meu primeiro trabalho foi uma camisa nova.
Cor de laranja vivo.
Bem viva.
Talvez até viva demais.
Era diferente de todas as que eu tinha até então.
Durante algum tempo, quando vestia aquela camisa, sabia exatamente de onde ela havia saído.
De um galão.
De um toco de madeira.
De centenas de preguinhos.
De algumas marteladas nos dedos.
E de uma quinzena inteira imaginando o que faria com o primeiro dinheiro ganho pelo meu próprio trabalho.
O Hospital Santo Antônio continua lá.
A obra mudou.
Os pisos mudaram.
Os operários foram embora.
O italiano de Sarandi também ficou apenas na memória.
E a camisa laranja, naturalmente, desapareceu há muitas décadas.
Mas, quando olho para aquele prédio, ainda consigo imaginar um menino sentado sobre um galão, martelo na mão, preparando tacos de parquet e descobrindo, talvez sem saber, a estranha alegria de receber pela primeira vez por aquilo que havia feito com as próprias mãos.