
A suspensão das importações de carne bovina brasileira pela União Europeia pode provocar um prejuízo superior a US$ 100 milhões ao setor, especialmente nas vendas realizadas pela chamada Cota Hilton, destinada a cortes nobres e de maior valor agregado.
A medida europeia foi adotada em setembro após o bloco apontar exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva brasileira. O bloqueio atingiu um mercado estratégico, já que a carne comercializada dentro da Cota Hilton pode alcançar preços até 40% superiores aos dos cortes convencionais.
No ciclo 2026/27, que começou em julho, o Brasil já havia embarcado 6.767 toneladas, equivalente a 76% da cota destinada à União Europeia. No entanto, mais de 2 mil toneladas deixarão de ser exportadas devido à suspensão. A perda estimada para este ciclo supera US$ 22 milhões.
O impacto pode ser ainda maior caso o bloqueio continue no próximo período. Para 2027/28, a estimativa é de que o Brasil possa deixar de faturar mais de US$ 97 milhões, considerando uma cota de aproximadamente 8,9 mil toneladas e preço médio de US$ 11 mil por tonelada.
Com a saída temporária da carne brasileira, exportadores da Argentina e do Uruguai aproveitaram a oportunidade para aumentar os preços na Cota Hilton. Cortes como alcatra, contrafilé e filé, que eram negociados antes do veto por cerca de US$ 23 mil por tonelada, passaram a alcançar aproximadamente US$ 28 mil.
Além da perda direta nas exportações, o bloqueio também afeta pecuaristas e frigoríficos brasileiros que investiram em rastreabilidade e certificação para atender às exigências do mercado europeu. Segundo informações do setor, produtores recebiam cerca de 5% a mais pelo gado rastreado destinado à Cota Hilton.
A retomada das exportações depende da reversão da suspensão e do atendimento às exigências sanitárias estabelecidas pela União Europeia. Enquanto o bloqueio permanecer, o Brasil corre o risco de perder espaço em um mercado que paga valores mais altos pela carne de qualidade e rastreabilidade diferenciadas.
O cenário também já começa a afetar planos de investimento de empresas brasileiras. Frigoríficos que pretendiam ampliar a produção voltada à Cota Hilton estão adiando projetos diante da incerteza sobre a continuidade das vendas.
Para o setor, portanto, o desafio não está apenas em recuperar as exportações atuais, mas também em evitar que concorrentes ocupem de forma permanente o espaço deixado pela carne brasileira no mercado europeu.
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