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Ministro da Saúde avalia distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS

Alexandre Padilha fala sobre início de protocolo que definirá a incorporação de medicamento para emagrecimento ao sistema público

Por: Andre Eberhardt Fonte: Com informações do jornal O Globo
22/06/2026 às 11h17
Ministro da Saúde avalia distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo iniciará um estudo com 250 pacientes para testar a viabilidade de fornecer canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação será feita a partir de um protocolo médico no Grupo Hospital Conceição, em Porto Alegre, com pessoas que tenham quadro de obesidade mórbida e comprometimento cardíaco.

Em paralelo, o governo passará a estimular a produção nacional de canetas, além da Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética autorizada para comercialização no Brasil. Produtos de outras 17 empresas que apresentaram possibilidade de registro no país estão sendo analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

1) Como o governo vai atuar na regulação de preços de canetas emagrecedoras?

O Ministério da Saúde e a Anvisa fizeram um edital chamando empresas com condições de produzir e registrar esse produto no Brasil. Desse edital tivemos uma que saiu com o seu registro. Outras 17 apresentaram pedidos, que ainda estão sendo analisados. Quanto mais empresas produzindo aqui, mais medicamentos como esses registrados, mais baixo o preço. A gente consegue derrubar os preços que são abusivos com uma concorrência maior.

2) O governo estuda incorporar canetas emagrecedoras ao SUS?

Vamos iniciar em breve um protocolo de acompanhamento do que pode ser o uso desse tipo de medicamento no SUS. Será conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição, com 250 pacientes considerados super obesos, com quadro de comprometimento cardíaco, que estão esperando na fila de cirurgia bariátrica. A ideia é avaliar como esse tipo de medicamento pode ser utilizado no sistema público. É possível que tenha impactos econômicos positivos, como reduzir fila de cirurgia bariátrica, reduzir complicações cardíacas relacionadas à obesidade e ao diabetes. Não vemos as canetas como milagres estéticos e nem como uma solução única para o problema da obesidade.

3) Quando começarão esses estudos?

Como vai haver um protocolo de acompanhamento, precisará antes passar no comitê de ética do Grupo Hospitalar Conceição. A expectativa é que possa começar já neste ano. Esse é um primeiro passo para saber como essa tecnologia pode ser incorporada no SUS.

4) É possível estimar um prazo para as canetas estarem no SUS?

O prazo vai ser dito pelo desenvolvimento, avaliação e pelo impacto positivo ou não da utilização que vamos verificar nesse protocolo de estudos. A previsão é que comece ainda neste ano. O protocolo dura alguns meses, até um ano, para podermos avaliar o impacto disso.

5) Com o avanço da comercialização em massa de canetas no Brasil, como o governo tem evitado fraudes?

A Anvisa e a Polícia Federal têm feito essa fiscalização. Já foram apreendidos grandes volumes de medicamentos, muitas vezes contrabandeados, com composição alterada, presença de insulina, ausência do medicamento, funcionando como se fosse um placebo. É muito importante que as pessoas que queiram usar esses tipos de medicamentos tenham um acompanhamento médico e façam exames. São medicamentos que têm eventos adversos. Não são solução mágica para o problema nem da diabetes, nem da obesidade.

6) A oferta de canetas emagrecedoras à população virou promessa na campanha passada. Tem algum cálculo eleitoral do governo na medida?

Enquanto ministro da Saúde, trabalho diariamente para ampliar o acesso da população, independentemente de qualquer calendário eleitoral, a terapias que possam salvar vidas. A expiração da patente desse medicamento ocorreu em março de 2026. Se tivesse sido em março de 2025, já teríamos feito antes. A gente busca incorporar as medicações (ao SUS) quando a lei permite, independentemente de qualquer calendário eleitoral.

7) Sobre a suspensão da vacina contra a dengue do Butantan, qual é a conclusão sobre a relação com as duas mortes registradas?

Isso está sendo investigado. Essa suspensão temporária é uma demonstração da seriedade com que o Ministério da Saúde trata a vida e a saúde do povo brasileiro. Nós estamos falando de uma vacina que mais de 500 mil pessoas já tomaram e estão protegidas contra a dengue. Dessas, 42 tiveram reações que não tinham sido descritas nos 18 estudos clínicos prévios que foram realizados. Mas, ao observar nessas reações dois óbitos em que a investigação sobre a relação dos óbitos e a vacina precisa ser aprofundada, nós tomamos a melhor decisão do ponto de vista de saúde pública, que é suspender temporariamente até que o painel de especialistas possa fazer essa investigação.

 

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