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Copa do Mundo começa hoje com recorde de seleções

Mundial realizado pela primeira vez em três sedes tem maior número de jogos da história, com despedida de astros, jovens em ascensão e seleção brasileira em busca do hexa

Por: Andre Eberhardt Fonte: Redação do ge
11/06/2026 às 07h51
Copa do Mundo começa hoje com recorde de seleções
(Foto: Arte Sistema Província)

A 23ª Copa do Mundo começa nesta quinta-feira, com recorde de seleções, sedes, jogos e dias de duração, estreando novas regras e envolvida em tensões políticas sem precedentes.

Pela primeira vez realizada em três países, a Copa do Mundo de Canadá, Estados Unidos e México tem 48 seleções, com 1248 jogadores no total dos elencos com 26 integrantes cada.

Na maior transformação da competição desde 1998, quando o número de participantes aumentou para 32, a expansão das equipes resulta em um recorde de 104 partidas (contra 64 até 2022) e 39 dias de duração (contra o máximo anterior de 33).

A fase eliminatória passa a ter uma rodada antecedente às oitavas de final. Os dois primeiros lugares de cada um 12 grupos e os oito melhores terceiros colocados da fase de grupos se classificam para a 16-avos.

São 16 estádios em 16 cidades-sede, divididos entre os três países da América do Norte. Onze deles estão nos Estados Unidos, três no México e dois no Canadá.

A cerimônia de abertura e o jogo inaugural ocorrem no lendário Estádio Azteca, que se torna o primeiro estádio a receber três aberturas de Copas do Mundo, depois de ter sido sede em 1970 e 1986.

A final será realizada em 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Cerimônias de abertura

 

Hoje, a cerimônia de abertura começa às 14h30 (de Brasília), 90 minutos antes do jogo inaugural entre México e África do Sul, às 16h.

O show conta com Shakira e Burna Boy apresentando "Dai Dai", a música-tema da Copa do Mundo de 2026. Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e J Balvin são outros artistas com apresentações previstas no Estádio Azteca.

Com a competição dividida em três países, o Canadá e os Estados Unidos também têm cerimônias de abertura próprias antes de cada um dos primeiros jogos nesses países.

Em Toronto estão previstos shows de artistas como Michael Bublé e Alanis Morissette. Em Los Angeles, o evento tem Katty Perry como principal nome e prevê a participação da cantora brasileira Anitta.

Na Cidade do México, a cerimônia de abertura deve ocorrer sob protestos. Milhares de manifestantes prometem marchar em direção ao Estádio Azteca para ampliarem o alcance de suas demandas.

São diferentes grupos, de organizações sociais, sindicais e de direitos humanos. O mais relevante é o de professores, que trava uma batalha com o governo mexicano por mudanças na previdência da categoria e por uma reforma educacional.

A imprensa local estima que 5 mil manifestantes estejam na capital mexicana para protestar no dia da abertura da Copa do Mundo.

Tensões políticas

 

Só que as tensões políticas vão além do México, com escala global e implicações geopolíticas, especialmente causadas pelos Estados Unidos.

O contexto é trágico: um dos países anfitriões da Copa do Mundo está em guerra com outro participante, depois de Estados Unidos e Israel iniciarem uma ofensiva contra o Irã em fevereiro deste ano.

A presença da seleção iraniana chegou a ser dúvida, com o presidente Donald Trump dizendo que a participação seria "inapropriada, para a própria vida e segurança deles".

Os iranianos estão hospedados e têm treinado em Tijuana, no México, embora os jogos ocorram nos Estados Unidos. Eles só podem cruzar a fronteira no dia anterior a cada partida, retornando ao território mexicano na sequência.

Quinze funcionários da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) tiveram vistos rejeitados, incluindo o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, e os diretores técnico e executivo, além de analistas de desempenho da seleção. A FFIRI ainda informou que os Estados Unidos revogaram a cota de ingressos destinada a torcedores do Irã.

O Irã avisou a Fifa que, em caso de protestos políticos contra o país nos jogos da Copa do Mundo, os atletas estão orientados a abandonar a partida.

A delegação iraniana tem sido a mais afetada, mas não é a única a enfrentar dificuldades com os protocolos americanos.

Os Estados Unidos impediram a entrada do somali Omar Abdulkadir Artan, o melhor árbitro da África; interrogaram o astro iraquiano Aymen Hussein por sete horas na chegada ao país; e fizeram revistas rigorosas nas delegações visitantes, com direito a cães farejadores.

Novas regras

A Copa do Mundo marca a estreia de regras que devem ser adotadas pelas competições de futebol, com ampliação do árbitro de vídeo (VAR) e medidas para combater a cera.

O VAR não se limita mais a lances de gol, pênalti, cartão vermelho e erro de identificação de jogador. Agora, o árbitro de vídeo pode corrigir a aplicação incorreta de segundo cartão amarelo e marcação incorreta de escanteio no lugar de tiro de meta.

Há ainda as seguintes regras para evitar a cera dos jogadores e aumentar o tempo de bola rolando:

 

  • 5 segundos para cobrar o lateral, contados com a mão pelo árbitro; como punição, a cobrança do lateral é revertida;
  • 5 segundos para cobrar o tiro de meta, contados com a mão pelo árbitro; como punição, é concedido escanteio ao time adversário;
  • 10 segundos para substituição, com exceção para jogador lesionado que claramente não tenha condições de sair de campo; em caso de descumprimento, o jogador substituído deixa o campo, mas o substituto deve esperar 60 segundos para entrar, deixando o time com um a menos;
  • 1 minuto fora em caso de atendimento médico: jogador que precise ser atendido pela equipe médica deve sair de campo e esperar 60 segundos para retornar, deixando o time com um a menos nesse período;
  • Jogadores não podem se aproximar do banco de reservas enquanto o goleiro recebe atendimento médico.

Como medidas disciplinares, a Copa do Mundo ainda estreia a aplicação de cartão vermelho a jogador que cobrir a boca com a mão, o braço ou a camisa durante uma discussão com adversário e a jogador e/ou membro da comissão técnica que abandonar o campo em sinal de protesto a uma decisão da arbitragem.

Seleções participantes

 

 

  • Países-sede: Canadá, Estados Unidos e México;
  • Concacaf (América do Norte): Curaçao, Haiti e Panamá;
  • Conmebol (América do Sul): Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai;
  • Uefa (Europa): Alemanha, Áustria, Bélgica, Bósnia, Croácia, Escócia, Espanha, França, Holanda, Inglaterra, Noruega, Portugal, República Tcheca, Suécia, Suíça e Turquia;
  • CAF (África): África do Sul, Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Egito, Gana, Marrocos, República Democrática do Congo, Senegal e Tunísia;
  • AFC (Ásia): Arábia Saudita, Austrália, Catar, Coreia do Sul, Irã, Iraque, Japão, Jordânia e Uzbequistão;
  • OFC (Oceania): Nova Zelândia


Favoritas

 

Campeã em 2018 e vice em 2022, a França chega como uma das principais candidatas ao título, com elenco estrelado, liderado por Mbappé, Dembélé e Olise.

A Espanha, do jovem astro Lamine Yamal, disputa a taça como campeã da Eurocopa de 2024 e vice-líder do ranking da Fifa.

A Argentina começa a competição como líder do ranking da Fifa, com a mesma base de jogadores que conquistou a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024, incluindo Messi, o maior craque da história daquele país.

O Brasil não tem sido apontado como um dos favoritos, pois vive uma fase de baixa, mas, como único pentacampeão, não pode ser descartado na busca pelo hexa.

 

De olho no hexa

 

Com o italiano multicampeão Carlo Ancelotti estreando no comando de uma seleção, o Brasil chega à Copa do Mundo em busca da sexta estrela, depois das conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

Já são, portanto, 24 anos de jejum de uma seleção que atualmente ocupa o modesto 6º lugar no ranking da Fifa, atrás de Argentina, Espanha, França, Inglaterra e Portugal.

O Brasil começa no Grupo C e estreia contra Marrocos, neste sábado, às 19h. Depois, enfrenta o Haiti, no dia 19, às 21h30, e a Escócia, no dia 24, às 19h.

Avançando para as oitavas de final como primeiro ou segundo colocado do Grupo C, a seleção brasileira enfrenta uma equipe do Grupo F, que reúne Holanda, Japão, Suécia e Tunísia. Se passar dentre os melhores terceiros, o time encara líder do grupo A, E ou I.

Despedidas

 

A Copa do Mundo de 2026 deve marcar a despedida de astros históricos do futebol mundial: Cristiano Ronaldo, de Portugal, e Messi, da Argentina.

Convocado para a sua quarta Copa do Mundo, Neymar também se despede nesta edição, assim como Son Heung-min, da Coreia do Sul; Manuel Neuer, da Alemanha; Guillermo Ochoa, do México; e Luka Modrić, da Croácia.

Craques em ascensão

 

Uns indo embora, outros chegando... A Copa do Mundo tem despedida, mas também estreantes em ascensão: o atacante espanhol Lamine Yamal, de 18 anos, é o jovem de maior destaque dentre os novatos.

O atacante francês Désiré Doué, de 20 anos, é outro que chega sob enorme expectativa. O Brasil conta com o atacante Endrick, de 19 anos, como maior referência jovem da seleção.

O jogador mais novo desta edição está no México: o meio-campista Gilberto Mora, de 17 anos, visto como a maior promessa mexicana, despertando o interesse dos clubes europeus.

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