A Polícia Civil do Rio Grande do Sul ampliou as investigações sobre o esquema de falsificação de atestados médicos recentemente desarticulado em Passo Fundo. A apuração é conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia do município, que identificou novos elementos sobre o funcionamento da atividade criminosa.
De acordo com os investigadores, os documentos falsos eram vendidos por valores que variavam entre R$ 60 e R$ 100. A cobrança indica a existência de uma estrutura organizada voltada à produção e distribuição dos atestados, que eram adquiridos por trabalhadores interessados em justificar ausências no trabalho.
A corporação também informou que não há indícios de participação de médicos ou dentistas na emissão dos documentos. Profissionais da saúde, inclusive, aparecem como vítimas do esquema, assim como clínicas e outras instituições, que tiveram nomes, assinaturas, carimbos e logomarcas utilizados sem autorização.
Até o momento, duas pessoas são apontadas como integrantes do núcleo responsável pela falsificação e comercialização dos atestados. No entanto, a polícia não descarta o envolvimento de outros suspeitos. Materiais apreendidos durante mandados de busca e apreensão realizados recentemente devem contribuir para o avanço das investigações.
Além dos responsáveis pela produção dos documentos, a Polícia Civil também apura a conduta de quem utilizou os atestados falsos. Somente neste ano, foram instaurados 11 inquéritos para investigar o uso de documento falso por funcionários, crime previsto no artigo 304 do Código Penal. Cada caso é analisado individualmente, e o número de investigados pode aumentar conforme novas provas forem examinadas.
Segundo a corporação, 2026 já registra mais de uma dezena de investigações relacionadas a esse tipo de prática no município, o que indica a repetição do uso irregular de atestados de forma estruturada.
A ação reforça o trabalho da Polícia Civil no enfrentamento a crimes contra a fé pública, que geram prejuízos a empresas e comprometem a credibilidade de profissionais e instituições da área da saúde. As investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.