
Guilherme Zimmermann tinha um sonho comum para muitos brasileiros. Ter o próprio negócio. Morador da comunidade de Capitel Santo Antônio, o jovem se especializou em chapeamento e pintura de veículos e motocicletas. Com sua competência comprovada por onde trabalhou, entendeu, no ano passado, que estava na hora de abrir a sua empresa.
Morador da comunidade de Capital Santo Antônio, ele construiu um galpão ao lado da casa da família, onde por anos morou seu pai e onde foi criado, para que pudesse iniciar seu serviço. Não demorou para aparecerem os clientes. Como ele mesmo relata, praticamente não consegue parar nem aos finais de semana, tamanha é a demanda de trabalho que buscam por sua especialidade. No entanto, o sonho do jovem empreendedor está em risco e o motivo é apenas um: o descaso do poder público com a manutenção das estradas que chegam até a comunidade. Com as vias em péssimas condições, o negócio está em risco, uma vez que para chegar até a sua propriedade os veículos precisam fazer um verdadeiro rali.
Na mesma comunidade reside uma senhora de 72 anos, com inúmeros problemas de saúde. Viúva, ela mora sozinha nem uma bonita casa de madeira cercada por árvores frutíferas e flores. A beleza e capricho da sua residência contrastam com a estrada que passa em frente e que precisa ser percorrida para chegar até a propriedade.
Com um trajeto sem mínima condição de trafegabilidade, a senhora, que necessita de médico regularmente, já tem dificuldade em encontrar taxistas que possam conduzi-la até a cidade. Por enquanto, apenas um único motorista de táxi, compadecido com a situação da idosa, se arrisca a fazer o trajeto, no entanto, ele mesmo fala reclama das dificuldades que precisa enfrentar para chegar até a residência.
Na mesma vizinhança, agricultores estão se perguntando, como vão transportar a produção de soja que cresce bonita na lavoura? As condições da via não dão qualquer garantia de trafegabilidade para um caminhão carregado, inclusive, nas situações atuais, o simples transporte da produção pode se transformar num verdadeiro risco.
Para se chegar à localidade existem três acessos. Percorremos todos eles nesta semana, o que testemunhamos em loco é um verdadeiro descaso com os moradores. As estradas estão completamente abandonadas. Valetas das quais é impossível escapar e, mesmo com um veículo alto, acaba raspando em baixo, estão por toda a parte, mato que toma conta no centro da estrada, valetas laterais para escoamento de águas completamente fechadas, deixando as vias sem escoamento e com marcas das águas. A situação é intrafegável.
As condições são o retrato de um abandono verificado também em outros pontos do interior do município, como em Lajeado Leão, onde essa semana um morador sofreu um acidente de motocicleta em virtude das precárias condições da via de rolamento. Felizmente, ele não se machucou com gravidade, mas vai amargar um bom prejuízo para consertar a moto que ficou danificada.
Além da grave situação das estradas, a comunidade de Capitel Santo Antônio também enfrenta um problema muito sério no abastecimento de água. Uma moradora nos relatou que chega a ficar 20 dias sem receber água, mesmo que haja a rede instalada. A água não chega por dois dias e depois fica quase 20 dias sem abastecimento.
A mesma senhora que reclama das estradas que atrapalham a sua vida cada vez que vai procurar um médico, desabafa: “Como pode eu, com 72 anos, doente, precisar estar carregando balde de água para poder colocar no banheiro, por exemplo. – Ela reclamou dizendo que até a comida fica ruim sem a chagada de uma água de qualidade até as torneiras da comunidade.
Ambos os problemas foram lavados para os responsáveis na Prefeitura de Tenente Portela. Segundo os moradores, os responsáveis não deram atenção às queixas da comunidade. “Fazem só para quem eles querem e esqueceram de nós”- reclamou o morador.