
Estudo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL), apresentado na quinta-feira (24/2), indica um prejuízo superior a 14 milhões de toneladas de grãos em razão da falta de chuva e um tombo de R$ 31 bilhões nas lavouras.
Para piorar, o impacto nas outras cadeias produtivas e em impostos pode chegar a R$ 115,7 bilhões, segundo a entidade, o que representa uma queda recorde de 8% no PIB do Rio Grande do Sul. O setor produtivo e gestores públicos estimam um aporte de R$ 5,7 bilhões para socorrer os produtores, cerca de 0,1% do orçamento federal.
O presidente do Sistema FARSUL, Gedeão Pereira, lamentou o atual cenário após uma safra anterior exitosa. — Ano passado alcançamos o posto de segundo Estado produtor de alimentos, neste devemos cair para quarto — disse o dirigente. — Temos que negociar para reduzir as perdas e ainda teremos um Plano Safra reduzido. Além disso, os custos aumentaram 50% e agora a Rússia invade a Ucrânia podendo impactar nos preços dos fertilizantes — completou o presidente do Sistema FARSUL.
Gedeão Pereira considera que a safra de inverno possa ser favorecida pelas previsões de uma manutenção do fenômeno climático La Niña até o final do ano. Além disso, o surgimento de um conflito no Leste Europeu pode impactar no preço do trigo. —Porém, temos que encontrar um caminho para que o agricultor se mantenha viável — frisou o dirigente.
O economista chefe da FARSUL, Antônio da Luz, apresentou um levantamento feito pela federação sobre o impacto da estiagem na economia gaúcha. — Este choque vai reverberando em toda a economia. Dos 67 setores que a formam, 63 são afetados diretamente. A perda equivale a 4,31 vezes a capacidade de armazenamento da FECOAGRO. No total, serão R$ 115,7 bilhões a menos, uma queda de 8% do PIB — explicou o economista.
— A CNA [Confederação Nacional da Agricultura] vem trabalhando na busca por soluções para os estados afetados pela seca ou pelo excesso de chuvas — afirmou o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi. A estimativa da CNA é que sejam necessários entre R$ 2,9 e R$ 3 bilhões para o Plano Safra. O desafio está em conseguir esses recursos, segundo a entidade.
Conforme Bruno Lucchi, são duas ações principais trabalhadas pela CNA atualmente. A primeira é a sensibilização do relator geral do orçamento 2022, deputado Hugo Leal, e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, para a recomposição do orçamento do crédito rural. A outra é uma Medida Provisória para crédito suplementar que não fure o teto de gastos.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Guilherme Bastos Filho, comentou que o trabalho atual está em conseguir realocar valores de outros ministérios para garantir recursos que cubram as renegociações e viabilizam o crédito para a próxima safra.
O governador Eduardo Leite lamentou a situação e lembrou que o Governo Estadual vem trabalhando dentro do que é possível, com mais de R$ 200 milhões destinados para ajudar a mitigar a situação, com ações para médio e longo prazos.
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