
Humberto Trezzi é um dos maiores especialistas em jornalismo policial do estado do Rio Grande do Sul. No seu currículo estão grandes reportagens investigativas e a cobertura de praticamente todas as guerras que ocorreram no seu tempo. Ele esteve no fronte de conflitos em pelo menos 14 países diferentes. Com mais de 30 anos de Jornal Zero Hora, hoje faz parte do GDI, grupo de jornalismo investigativo do Grupo RBS.
A experiência jornalistica faz de Trezzi também um especialista na atuação das facções no estado do Rio Grande do Sul. Em entrevista ao programa Tribuna Popular da Rádio Província, onde comentava sobre o conflito pelo qual passa a Terra Indígena do Guarita, ele chamou a atenção para a presença da facção Primeiro Comando da Capital - PCC- em pelo menos dois episódios na região, mais especificamente envolvendo o território habitado por cerca de 8 mil indígenas.
O primeiro foi os assaltos a bancos ocorridos em 2017 nas agências do Banrisul e do Sicredi em Miraguaí. 21 pessoas foram presas por envolvimento no crime, algumas delas indígenas, entre os quais, Valdônes Joaquim, cacique na época do crime e seu pai, o ex-cacique, Valdir Joaquim. Valdonês na época da prisão cumpria ainda mandato de vereador em Tenente Portela tendo sido o mais votado nas eleições de 2016.
Além das lideranças indígenas, outros dois presos chamaram a atenção do experiente repórter. Dois dos presos faziam parte do PCC.
O segundo episódio, relembrado por Humberto Trezzi, foi a prisão de um bandido de alta peliculosidade, conhecido pela alcunha de Bonitinho, ocorrida em Redentora. Ele estava morando na Terra Indígena do Guarita com uma índia. Ele é apontado como um dos autores de um roubo de ouro ocorrido em Chapecó-SC. O crime é atribuído ao PCC, facção da qual o criminoso faria parte.
Humberto Trezzi encerrou a entrevista com uma frase muito impactante: "Tudo nos leva a crer, que o PCC tem interesse na Terra Indígena do Guarita e na região."