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Vidas que salvam vidas: Os funcionários mais antigos do HSA

Reportagem especial mostra o trabalho realizado por profissionais que estão há mais de 30 anos trabalhando no HSA

Por: Fonte: Jornal Província
26/07/2019 às 10h47 Atualizada em 26/07/2019 às 11h10
Vidas que salvam vidas: Os funcionários mais antigos do HSA
Vidas são dedicado ao trabalho junto aos milhares de pacientes que passaram pela instituição (Foto: Eduardo Salvadori)

A vida nos reserva muitas surpresas. Num instante você está tranquilamente cumprindo seus afazeres e no momento seguinte se vê deitado em um leito de hospital, muitas vezes desesperado e confuso com o seu futuro, no entanto, quando você sai daquela situação agradece a Deus e segue sua vida, mas e quanto aos profissionais que cuidaram de você, desde a portaria até o mais complicado momento de uma cirurgia? Você chegou a se questionar sobre isso alguma vez? Quem  são essas pessoas e como é as suas rotinas diárias, dedicadas a uma profissão quem tem em seu seio embrionário ajudar o próximo?

O município de Tenente Portela é agraciado com uma das melhores casas de saúde de todo o Rio Grande do Sul, referência em várias especialidades e um local onde vidas são salvas diariamente.

Estivemos conversando com alguns profissionais que convivem com esse dia a dia há mais de 20 ou até 30 anos. Profissionais que estão no quadro funcionais que estão no quadro profissional do nosocômio desde que esse era apenas uma estrutura precária e local. Tente imaginar isso, em tempos onde relacionamentos não ultrapassam uma estação do ano, há profissionais dedicando a sua vida para salvar a do próximo por décadas; e fazendo isso com amor.

O Hospital Santo Antônio, para quem não sabe ou não lembra, nem sempre foi essa grandeza estrutural e referência estadual. Em meados dos anos 80, início da década de 1990, quando ainda era comandado pelas Irmãs, o HSA contava com aproximadamente 60 funcionários, bem diferente dos mais de 600 que hoje ali trabalham. Funcionários estes que se revezavam e se multiplicavam para atender 30 pacientes sozinhos e quando a situação estava “calma” ainda auxiliavam seus colegas em momentos de precisão. Na época o escalonamento de funcionários era feito da forma que ficava apenas um em cada setor, o que quase sempre sobrecarregava essas pessoas. 

Conversando com as técnicas em enfermagem Sandra Maria Barassuol, que está na casa de saúde desde a década de 1990 e até mesmo a dona Judite Terezinha Bertoldo do Amaral, que entrou ainda antes, lá pelos anos de 1981/1982, elas são unanimes em dizer que o método de ensino das Irmãs era diferenciado. Focando sim na importância do ensinamento teórico, da funcionalidade da profissão, mas sempre com um algo a mais. Como elas mesmas dizem –“cuidar do paciente como se estivesse cuidando do próprio Jesus Cristo’”- Na portaria encontramos o senhor Nelson Kuhne, ou simplesmente o “seu Nelson”. Igualmente dedicado a sua função, também é funcionário do HSA desde os anos 90.

Nossa reportagem teve um momento de conversa com estes profissionais, qual poderia se estender por vários dias e secar várias térmicas com água para o chimarrão. Estes profissionais estão ali há tanto tempo, que possuem histórias das mais variadas, das que vão da gargalhada mais espontânea, com é conhecida a da Sandra, até mesmo contos que marejam os olhos e fazem aquele filme passar pela cabeça.

Nestes tantos anos de trabalho e dedicação, convívio diário, é praticamente impossível não tornar aquelas pessoas como da própria família. Eles mesmos destacam isso, que levam consigo essa parceria dentro do coração, não importando o lugar, fazem questão de se cumprimentar, mesmo que estivessem passado o dia trabalhando juntos. Outro sentimento mútuo destes profissionais é a admiração para com a atual administradora, Mirna Braucks.

No conto que atravessava gerações, as meninas me falavam sobre o tempo em que ainda eram comandadas pelas Irmãs, onde mesmo com funções específicas, nunca se prenderam somente a tais afazeres, afinal, tomavam conta da limpeza, refeitório, tinham até de dar banho nos pacientes.  As meninas traziam de casa produtos de beleza para agradar aos acamados, cuidavam dos cabelos e proporcionavam para aquelas pessoas, muitas até esquecidas pelos próprios familiares, momentos inesquecíveis, dignas de um lugar muito especial no coração de cada uma.

Um dos causos contatos pelo seu Nelson foi de uma repreensão que tomaste de um dos administradores de outrora, em virtude de ter permitido o acesso de um familiar aos quartos, mesmo não sendo horário destinado a isso. Com os olhos marejados e trazendo a história do fundo do coração, ele pôs seu chefe no lugar daquele familiar e assim explicou o motivo de ter liberado a entrada. Visita aquela que por coincidência foi a última de um pai com seu filho, permitindo a ele um último adeus em vida, não se importando assim com qualquer repreensão que sofreria, o que não aconteceu, em virtude de sua atitude ter sido de bom coração.

Nas histórias contadas, outros profissionais irão se identificar, afinal a lista se estende por mais de 10 pessoas, quais não podemos esquecer-nos da dona Elizabete Soares Locatelli, funcionária desde 1984, Vera Marisa Soares Campos e Juraci Lourdes Schusler Foleto, que entraram na casa de saúde em 1986, Romilda Pinno Soares, que está desde 1987, Ires Natalia Bertoldo, funcionária desde 1989, Márcia Cristina Antunes, que iniciou seus trabalhos em 1990, Sidnei Cesar Tamiozzo, que está desde 1991, Rosane Bottega e Lisete Cristina Bison, ambas iniciando em 1992, Loni Teresinha Ritter que está desde 1993. Estes profissionais com certeza têm a história da casa de saúde sincronizada com alguma passagem da sua própria vida.

Temos que ter em mente que estas pessoas, humanas, mas muitas vezes tratadas somente como profissionais, estão ali, naqueles corredores, quartos e salas de cirurgia, cumprindo horas e horas em plantões, enfrentando a exaustão da profissão, as dificuldades que poucos aguentariam, para que nós, que entramos como pacientes, possamos sair, viver nossas vidas, como se nada tivesse acontecido, no entanto, temos de reconhecer tal empenho. 

Não estamos aqui para vangloriar somente estes profissionais, que mesmo aposentados ainda dedicam suas vidas para salvar e bem atender outras, mas também aos que estão começando agora, que fazem seu trabalho da mesma forma, dedicam seu conhecimento e amor aos que nem conhecem e muitos que nem reconhecem, mas que tem ao seu lado exemplos que atravessam gerações, que mesmo que o conhecimento teórico não seja tão grande, o tamanho do conhecimento prático, humano e de vivência não pode ser mensurado. Qual estão ali, sempre com um sorriso no rosto, às vezes uma fala mais dura, mas sempre com o coração aberto para que seja tomada a melhor decisão e uma vida possa ser salva.

Duas frases que estes profissionais carregam consigo e significa muito são “fazer o que gosta e fazer com amor” e ainda “olhar ao próximo como a si mesmo”. Estude, aprenda, se dedique, especialize em sua área, mas não se esqueça de fazer tudo isso também na área que mais importa a área do ser humano, no saber tratar o próximo com amor, saber olhar o todo, identificar o que você pode fazer também com aquele familiar que está sofrendo, muitas vezes sem se alimentar corretamente, passando noites em claro, que também precisa de uma atenção.

Estes profissionais, muitos já aposentados, continuam lá, dedicando suas vidas para salvar as nossas. Logo ali na frente podem não vão estar mais, fisicamente presentes, mas seu legado continuará, seus exemplos estarão sempre presentes, nas salas, nos corredores, no bom dia na portaria e claro, nos novatos que levarão consigo eternamente os ensinamentos dos “velhinhos do HSA”.

 

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