
Os prefeitos de Tenente Portela, Rosemar Sala, Redentora, Nilson Paulo Costa e de Miraguaí, Valdelirio Preto, realizaram uma reunião no dia de ontem, 25, em Miraguaí para debater sobre a colheita do trigo dentro da Terra Indígena do Guarita. A retirada do cereal da lavoura está lenta e em alguns setores foi abandonada pelos agricultores. Os prefeitos temem os efeitos econômicos de um abandono do produto na lavoura.
Desde a última semana uma operação que conta com a Força Nacional de Segurança, servidores da FUNAI (Fundação Nacional do índio), Receita Federal, Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e sobre a coordenação da Policia Federal está acontecendo na Terra Indígena do Guarita para tentar identificar os agricultores não-índios que plantam de forma ilegal dentro da comunidade. A presença das autoridades tem deixado os agricultores temerosos, principalmente com possíveis apreensões de maquinários, e por isso muitos deles estão abandonando as lavouras sem realizar a colheita do trigo.
O plantio por agricultores brancos (não-índios) dentro da Terra Indígena do Guarita é ilegal, uma vez que a área pertence a união e deve ser usada apenas por indígenas, no entanto, a pratica da agricultura por produtores de fora da terra indígena é antiga e corriqueira. Os envolvidos, indígenas e agricultores, classificam a prática como “parceria”, alegando que como os índios não tem condições e maquinário para cultivar as próprias terras é necessário repassar ou fazer isso em conjunto com agricultores brancos. Para o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Justiça Federal e até para a FUNAI, a prática se configura em arrendamento ilegal, com valores abaixo do mercado.
Na reunião dessa segunda-feira os mandatários debateram sobre os efeitos que a não colheita do trigo da terra indígena pode ter na região, tanto na economia quanto na subsistência das famílias indígenas, que segundo os prefeitos dependem dessa prática para sobreviver.
Segundo o prefeito Rosemar Sala ficou acertado para tarde de hoje, 26, uma nova reunião, que ocorrerá com a participação de representantes do judiciário. A ideia é buscar uma medida ou um acerto junto a justiça para que essa garanta segurança aos produtores para efetuar a colheita.
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