
O Ministério Público denunciou um homem pelo estupro e assassinato da adolescente indígena Daiane Griá Sales, 14 anos, ocorrida no dia 04 de agosto no interior de Redentora.
Dieison Zandavalli, 33 anos, foi denunciado pelo promotor Miguel Germano Pordanosche pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio com seis qualificadoras (meio cruel, motivo torpe, dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima, para assegurar a ocultação de outro crime e feminicídio).
A prática, conforme a denúncia, decorreu de motivo torpe, correspondente ao desprezo do denunciado para com a população originária Kaingang e seus integrantes (etnofobia), nutrido pela falsa ideia de que tal comunidade e as autoridades constituídas reagiriam com passividade ao estupro em razão de sua condição de indígena. “Convém esclarecer que o denunciado estava procurando sua vítima em eventos sabidamente frequentados por jovens indígenas, havendo, inclusive, oferecido carona a outras garotas da mesma etnia, de modo que se pode afirmar que o fato de a ofendida integrar tal etnia foi fator determinante para que ela fosse objeto preferencial da escolha do denunciado. Ainda, a infração penal foi perpetrada mediante dissimulação, dado que a vítima fora atraída para o cenário dos eventos criminosos aceitando uma proposta de carona oferecida pelo denunciado, sem sequer imaginar o que lhe poderia acontecer em seguida”, relata o promotor na peça.
A investigação:
Durante as investigações a polícia ouviu 88 pessoas e seguiu pelo menos sete linhas de investigação e através de perícias e testemunhas conseguiu traçar os passos de Daiane no dia do crime. As informações foram divulgadas pelo delegado Vilmar Alaídes Scheffer, que chefiou o inquérito policial.
Ela saiu de casa, em Linha Bananeira, na Terra Indígena do Guarita, no dia 31 de julho, se deslocou até a comunidade da Missão, ainda na reserva e depois foi para uma rua onde acontecia uma festa, com carros de som, em Vila São João, distrito de Redentora.
No local, segundo o delegado, ela havia consumido bebida alcoólica em grande quantidade e ao final da festa, quando ela estava já em deslocamento, teria recebido uma oferta de carona pelo autor do crime, que a teria levado até a Linha Ferraz, em uma lavoura que faz divisa com a Terra Indígena do Guarita, a cerca de 10 quilômetros do local da festa, onde a teria estuprado e assassinado. O criminoso conhecia bem a região, uma vez que sua família já foi lidero numa propriedade nas cercanias.
O crime ocorreu entre as 2 e as 3 horas da manhã do dia 01 de agosto. A causa da morte teria sido por asfixia mecânica. Haviam marcas na altura do pescoço da vítima.
A Polícia chegou até o suspeito, pois testemunhas viram ela entrando no carro dele. Há também relatos de que ele havia oferecido carona para outras mulheres na festa, que a recusaram. Segundo a denuncia do Ministério Público as mulheres procuradas pelo autor eram todas indígenas, o que mostra que o mesmo tinha a intenção de cometer o crime contra uma mulher daquele etnia.
A dilaceração do corpo, onde a parte inferior, região das pernas, todo o tecido mole havia sido arrancado, restando apenas os ossos, além de parte do abdômen e uma parte de uma mama, foram causados por animais e aves de rapina. O agricultor que achou o corpo relatou que viu corvos sobrevoando uma área da lavoura e ao se deslocar ao local encontrou animais se alimentando dos restos mortais.
Segundo o delegado, foram encontrados junto ao corpo vestígios genéticos, sendo saliva em uma mama da vítima, o que permitiu a identificação através de DNA. Também foi encontrado sêmen junto a calcinha e a bermuda que a vítima usava, mas em quantidade que não foi possível a conclusão de DNA. A vítima também tinha uma lesão na mandíbula, provavelmente causado por um soco.
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