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Suspensão da exportação de carne à China pode baixar preço no Brasil

Restrição às vendas obedece protocolo sanitário firmado entre os dois países

Por: Marcelino Antunes Fonte: Gaucha ZH
06/09/2021 às 11h15 Atualizada em 06/09/2021 às 11h37
Suspensão da exportação de carne à China pode baixar preço no Brasil
Três frigoríficos instalados no Rio Grande do Sul têm permissão de exportar para a China e agora buscam novo destino ao produto (Foto: Reprodução)

O surgimento de dois casos de doença da vaca louca no Brasil suspendeu a exportação de carne bovina para a China e pode resultar em redução do preço do produto no país. Presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen afirma que, caso a proibição do envio para o país asiático se mantenha por muito tempo, pode haver queda dos preços no mercado interno. 

Os dois casos de EncefalopAitia Espongiforme Bovina (EBB) foram detectados em frigoríficos de Minas Gerais e do Mato Grosso. Segundo o Ministério da Agricultura, as amostras que deram positivo foram coletadas de vacas de descarte e com idade avançada. Por se tratarem de casos atípicos da doença - quando é originada dentro do próprio organismo do bovino -, o caso é considerado de menor gravidade e não ameaça o status sanitário do Brasil.

- Como são casos da (febre) atípica, a expectativa é que a suspensão da exportação seja revertida com certa rapidez. Igual, é uma preocupação e esperamos que não dure o suficiente para prejudicar as exportações brasileiras – afirma Lauxen.  

Em 23 anos, o Brasil registrou apenas cinco casos atípicos de vaca louca e nenhum caso clássico. “Dessa forma, o Brasil mantém sua classificação de país de risco insignificante para a doença, não justificando qualquer impacto no comércio de animais, seus produtos e subprodutos”, diz a nota divulgada pelo Ministério da Agricultura. 

Todavia, as exportações para a China foram automaticamente suspensas em função do protocolo sanitário firmado entre os dois países. A comercialização só deve ser retomada após a China avaliar o relatório de informações repassado pelo Brasil.

— Estamos vivendo um momento bastante preocupante, delicado, embora já tenha sido confirmado que a doença apareceu em duas vacas velhas. Agora esperamos uma análise das autoridades chinesas. As exportações estão proibidas, mas estamos negociando o que foi fechado antes dessa data (4). De qualquer maneira, é bom que ficarmos com uma certa preocupação porque todos os mercados mundiais respondem negativamente a esse tipo de procedimento — comenta o presidente da Farsul, Gedeão Pereira. 

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a China segue como principal destino da carne brasileira. No mês de julho, o volume total de exportação foi de 91.144 toneladas, com crescimento de 11,2%. Considerando Hong Kong, a China compra 60% da produção de carne bovina do Brasil. No Rio Grande do Sul, três frigoríficos da Marfrig em Bagé, Alegrete e São Gabriel estão habilitados para exportação de carne bovina à China.

 

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