
O planeta caminha para registrar mais um ano de temperaturas extremas. Segundo uma avaliação divulgada nesta sexta-feira (6) pelo observatório europeu Copernicus, 2026 deverá terminar como o segundo ano mais quente desde o início dos registros. Existe ainda uma possibilidade de 20% de que o período iguale ou ultrapasse o recorde de 2024, considerado atualmente o ano mais quente da história.
O cenário é resultado da combinação entre o aquecimento global provocado pelas atividades humanas e a influência do fenômeno climático El Niño, que contribui para elevar as temperaturas em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o Copernicus, também é praticamente certo que 2026 ficará mais de 1,5°C acima da média de temperatura registrada no período pré-industrial. Caso isso se confirme, será o segundo ano civil a ultrapassar essa marca, depois de 2024.
O observatório ressalta, porém, que a ocorrência de anos isolados acima de 1,5°C não significa que a meta estabelecida pelo Acordo de Paris tenha sido oficialmente ultrapassada. O compromisso internacional prevê limitar o aquecimento global a esse patamar até o final do século, considerando uma média de longo prazo, e não apenas os registros de um único ano.
Outubro registra novo recorde de temperatura
Outro dado que chama a atenção no levantamento é o desempenho de outubro de 2026, que se tornou o outubro mais quente já observado no planeta.
A temperatura média global do ar ficou 1,75°C acima dos níveis pré-industriais. Foi o terceiro mês consecutivo em que a média mundial ultrapassou a marca de 1,5°C em relação a esse período de referência.
Os oceanos também apresentaram temperaturas excepcionalmente elevadas. A média da superfície dos mares, desconsiderando as regiões polares, chegou a 20,95°C, o maior valor já registrado para um mês de outubro.
El Niño intensifica preocupação dos cientistas
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico tropical, associado ao El Niño, aparece como um dos fatores que ajudam a explicar os recordes recentes.
Segundo o Copernicus, a anomalia de temperatura da superfície do mar nessa região atingiu 3,21°C, superando os picos observados em episódios anteriores do fenômeno considerados muito fortes.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Sua ocorrência altera padrões de circulação atmosférica e pode provocar mudanças no regime de chuvas, secas e ondas de calor em diferentes partes do mundo.
Apesar da influência natural do fenômeno, os cientistas destacam que o aquecimento provocado pela ação humana continua sendo o principal fator por trás da tendência de elevação das temperaturas globais.
Os dados reforçam o alerta da comunidade científica sobre a intensificação das mudanças climáticas e a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o avanço do aquecimento do planeta.
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