
A decisão de prorrogar o horário de votação nas eleições de 2026, até as 19h, provocou confusão e frustração entre eleitores em diferentes cidades brasileiras. Embora a medida tenha sido anunciada com a intenção de permitir que mais pessoas exercessem o direito ao voto, muitos encontraram os portões dos locais de votação fechados ao chegarem após as 17h.
A prorrogação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, quase uma hora depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que a extensão do horário valeria apenas para as seções eleitorais que ainda não haviam encerrado os trabalhos. Com isso, os locais que já tinham concluído os procedimentos de fechamento não poderiam reabrir a votação.
A demora na transmissão das orientações aos mesários e presidentes de seção contribuiu para o cenário de incerteza. Em Brasília, por exemplo, houve locais em que as urnas foram fechadas às 17h, antes que as equipes recebessem informações sobre a decisão.
No Rio de Janeiro, pelo menos sete eleitores chegaram ao Colégio Pensi, no bairro do Flamengo, depois do fechamento dos portões. Eles receberam uma declaração de comparecimento sem voto, documento que registra a presença do eleitor no local sem que tenha conseguido votar.
Entre os casos relatados está o da contadora Manuela Tunas, que viajou do Uruguai para o Rio de Janeiro para participar da votação. Devido a um atraso no voo, ela chegou à cidade por volta das 17h e tentou aproveitar a prorrogação, mas não conseguiu votar.
A situação também gerou questionamentos sobre a diferença de tratamento entre eleitores. Enquanto algumas seções permaneceram abertas até as 19h, outras já haviam encerrado as atividades, impedindo que pessoas que chegaram após o horário habitual votassem.
Em São Paulo, seções que continuaram funcionando até as 19h registraram pouco movimento no período adicional. Segundo o mesário voluntário Lucas Suassuna, na seção em que trabalhou, na 6ª Zona Eleitoral, apenas três ou quatro pessoas teriam comparecido após o anúncio da prorrogação.
Já em Campinas, a advogada Amanda Vitorino percorreu diferentes escolas eleitorais para verificar o cumprimento da medida. Ela encontrou locais fechados e eleitores que também não conseguiram votar, apesar da divulgação do novo horário.
Os relatos evidenciam as dificuldades provocadas pela comunicação tardia da decisão e pela diferença nos procedimentos adotados entre as seções eleitorais. Para os eleitores afetados, a expectativa de conseguir votar após o anúncio acabou dando lugar à frustração.
O episódio levantou questionamentos sobre a organização e a divulgação de decisões tomadas durante o processo eleitoral, especialmente quando envolvem mudanças no horário de votação e dependem de comunicação rápida entre as autoridades eleitorais e as equipes que atuam nos locais de votação.
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