
No dia 29 de setembro, a PAGOS - Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos realizou o 1.º Congresso do Ecossistema de Pagamentos em São Paulo, reunindo representantes do Banco Central, da Polícia Federal, instituições financeiras, empresas de tecnologia, escritórios de advocacia e executivos do setor para debater inovação, integridade, resiliência e o futuro dos pagamentos.
O programa foi dividido em quatro eixos – Inovação, Integridade, Resiliência e Futuro – e contou com painéis que abordaram desde a transformação da infraestrutura de pagamentos até a prevenção de fraudes e a adaptação a pressões regulatórias. Ao final, Luis Augusto Barbieri, diretor comercial da INFOX Payments, destacou a crescente convergência entre crédito, pagamentos, dados e gestão de risco.
No eixo "Inovação – da infraestrutura à escala", moderado por Claudia Mansur, diretora da PAGOS, participaram Carlos Henrique Bandeira de Mello Jr., Caíque, conselheiro da Pernambucanas, Marcelo França, CEO da Celcoin, Cecília Carmona, representante da BMP, Marcelo Martins, CEO da INICIADOR, e Vanessa Fialdini, sócia da Fialdini Advogados. O debate abordou a transformação da infraestrutura, modelos BaaS e SaaS e a construção de negócios de pagamentos escaláveis e sustentáveis.
O painel "Integridade – da prevenção à ação coordenada", conduzido por Edgard Rocha, sócio da Zebra Law, contou com Caio Porto Ferreira, da Polícia Federal, Fernanda Fischer Casagrande, sócia‑conselheira da Bichara Advogados, e Kelly Gallego Massaro, presidente da Associação Brasileira de Câmbio (ABRACAM), que analisaram estratégias de prevenção a fraudes, inteligência financeira e cooperação no combate ao crime organizado.
Em "Resiliência – crescer sob pressão", moderado por Guilherme Eleutério Martinez, da OAB/SP, participaram Eduardo Gouveia, investidor e conselheiro, Alison Dorigão Palermo, International Compliance Officer, Giancarllo Melito, da Barcellos Tucunduva Advogados, e Otavio Farah, da Fits. Os painelistas discutiram como o setor pode manter o crescimento diante de pressões tributárias, tecnológicas e operacionais, destacando a reforma tributária e a fase de testes do Split Payment, prevista para iniciar em outubro.
No último painel, "Futuro – quem definirá a próxima agenda dos pagamentos?", moderado por Carlos Akira, vice‑presidente da PAGOS, estiveram Bruno Balduccini, do escritório Pinheiro Neto Advogados, Gerson Romantini, do Banco Central, Gilberto Martins (Giba), da G‑Payments Consulting, e Linconl Rocha, presidente da PAGOS, que refletiram sobre geopolítica, soberania econômica, tecnologia e pagamentos transfronteiriços.
Tecnologia amplia integração entre crédito e pagamentos
As discussões ocorreram em um contexto de forte digitalização do sistema financeiro. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, 83% das 240,8 bilhões de transações bancárias realizadas em 2025 foram concluídas em canais digitais, e 78% foram feitas por celular. O orçamento dos bancos para tecnologia deve alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026, alta de 8% em relação a 2025. O Pix registrou quase 80 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 35 trilhões em 2025, conforme dados do Banco Central.
A partir dos temas debatidos ao longo do encontro, o executivo Luis Augusto Barbieri avaliou que a evolução do mercado e das novas frentes tecnológicas têm impulsionado uma integração cada vez maior entre pagamentos, crédito, dados e gestão de risco.
"O mercado está avançando para operações em que crédito, pagamento, análise de risco, cobrança e relacionamento com o cliente precisam conversar entre si. Para o varejo, isso significa contar com tecnologia que permita estruturar produtos como crediário, private label e CDC digital com capacidade de escala e, ao mesmo tempo, controle da operação. Quanto mais o ecossistema cresce, mais importante se torna transformar dados em decisões de crédito e considerar os riscos envolvidos", afirma Barbieri.
Para o executivo, a agenda apresentada no congresso também sinaliza uma mudança na maneira como as empresas precisam pensar a sua infraestrutura financeira.
"O consumidor não enxerga crédito, pagamento e relacionamento como experiências separadas. Para as empresas, o desafio é construir uma operação integrada, flexível e preparada para acompanhar tanto mudanças regulatórias quanto novos comportamentos de consumo. É nesse ponto que a tecnologia passa a ter papel estratégico para o negócio", conclui.
Ao reunir inovação, integridade, resiliência e futuro em uma mesma agenda, o congresso mostrou como a evolução dos pagamentos passou a depender de uma combinação cada vez maior entre tecnologia, segurança, regulação, dados e capacidade de adaptação das empresas.