
O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul (MTG/RS) aplicou novas penalidades aos dois dirigentes da Associação Tradicionalista Estância do Minuano (ATEM) investigados por episódios ocorridos durante o 31º Rodeio Internacional do Conesul, realizado em Santa Maria, em março deste ano.
A decisão foi comunicada em intimação datada de 28 de setembro de 2026, após reunião da Diretoria do MTG/RS realizada no dia anterior, em Bom Princípio. Conforme o documento, a decisão foi tomada por unanimidade e teve como fundamento o parecer da conselheira relatora Patrícia Marques Oliveski, responsável pela análise do Procedimento Ético nº 2026.13.0004.
Para Bruno Brenner Fernandes, a entidade aplicou suspensão de todos os direitos tradicionalistas pelo período de um ano, além do afastamento da presidência da Associação Tradicionalista Estância do Minuano pelo mesmo período. O documento aponta que a punição decorre do reconhecimento, no âmbito do procedimento ético, de condutas consideradas incompatíveis com os princípios tradicionais, falta de decoro e promoção de desordem em evento tradicionalista.
Já Irone Manzoni da Silva recebeu suspensão de todos os direitos tradicionalistas por dez meses. Segundo a decisão, a penalidade está relacionada ao reconhecimento de condutas consideradas incompatíveis com a urbanidade e o respeito devidos aos tradicionalistas e demais cidadãos.
Nos dois casos, o MTG/RS determinou que seja descontado do período de punição o tempo que eventualmente já tenha sido cumprido durante a suspensão preventiva aplicada no início da apuração.
Entenda o caso
O processo teve origem em denúncias relacionadas a acontecimentos registrados durante o 31º Rodeio Internacional do Conesul, realizado em Santa Maria nos dias 7 e 8 de março de 2026.
Na época, o MTG/RS havia determinado a suspensão preventiva dos dois dirigentes por 60 dias, enquanto o Conselho de Ética Tradicionalista analisava os fatos.
Segundo a denúncia apresentada ao MTG, uma competidora teria sofrido uma convulsão durante uma prova de laço. Após o atendimento, a equipe da qual ela fazia parte teria sido desclassificada. Conforme o relato levado ao Conselho de Ética, quando as competidoras buscaram esclarecimentos sobre a decisão, teriam ocorrido manifestações consideradas ofensivas relacionadas à condição de saúde e ao gênero da atleta.
Ainda de acordo com a denúncia, no dia seguinte um familiar de uma das competidoras teria questionado a situação e, segundo o relato apresentado ao MTG, teria sido empurrado por um dirigente da entidade promotora do evento. O mesmo denunciante também teria relatado uma ameaça de retirada do local com auxílio de seguranças ou da polícia.
Os fatos deram origem ao procedimento ético que agora resultou nas penalidades anunciadas pelo MTG/RS.
Decisão ainda pode ser contestada
A intimação informa que os denunciados têm 15 dias corridos, contados a partir da ciência da decisão, para apresentar recurso ao Conselho Diretor do MTG/RS.
A íntegra do processo está disponível na Secretaria do Movimento Tradicionalista Gaúcho para consulta e obtenção de cópias. O recurso pode ser protocolado presencialmente, encaminhado pelos Correios ou enviado por meio eletrônico.
O MTG/RS mantém em seu site o Código de Ética e os demais regulamentos que disciplinam a atuação de seus filiados e entidades integrantes do movimento.
MTG e MP assinaram Pacto de valorização e respeito a mulher
Em contato com a reportagem, o MTG/RS destacou também a assinatura do Pacto “Entre Laços”, firmado com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em 6 de março de 2026, na semana do Dia Internacional da Mulher. A iniciativa prevê ações de prevenção, conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher nos espaços do tradicionalismo.
A entidade ressaltou que o pacto não tem relação com o procedimento envolvendo os dirigentes da Estância do Minuano, mas representa uma parceria institucional voltada à proteção, ao respeito e à valorização das mulheres em CTGs, rodeios e demais atividades tradicionalistas.
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