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Advogada é presa em desdobramento de investigação sobre exploração sexual em Ijuí

Polícia Civil suspeita que profissional tenha descumprido compromisso de auxiliar vítimas e participado do encaminhamento de mulheres para outro estabelecimento investigado.

Por: Marcelino Antunes Fonte: GZH
08/09/2026 às 14h27
Advogada é presa em desdobramento de investigação sobre exploração sexual em Ijuí
Vítimas eram submetidas a um sistema de dívidas que dificultava sua saída do local e restringia sua liberdade. (Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução)

A investigação da Operação Momentum Libertatis, que apura denúncias de cárcere privado, exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão envolvendo mulheres em Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, ganhou um novo capítulo. Uma advogada foi presa preventivamente na última sexta-feira, 4 de setembro, por suspeita de envolvimento nos fatos investigados pela Polícia Civil.

Conforme os investigadores, a profissional atuava na defesa de pessoas integrantes do grupo criminoso que é alvo do inquérito. Ainda segundo a Polícia Civil, ela teria assumido, perante o Ministério Público, o compromisso de auxiliar na libertação das mulheres resgatadas e assegurar que elas fossem encaminhadas de volta para suas famílias.

A investigação aponta, entretanto, que o acordo não teria sido cumprido conforme estabelecido. Em vez de retornarem para suas famílias, as vítimas teriam sido levadas para outro estabelecimento onde também ocorreria exploração sexual, situado na região de Planalto, no Norte do Estado.

Relato de ameaça contribuiu para prisão

Entre os elementos considerados para o pedido de prisão preventiva está o depoimento de uma das vítimas. À Polícia Civil, a mulher teria relatado que recebeu uma ameaça de morte durante o deslocamento realizado depois do fechamento do estabelecimento investigado em Ijuí.

Segundo o relato apresentado aos investigadores, a ameaça teria sido feita pela advogada. A vítima afirmou que teria sido orientada a não procurar novamente as autoridades.

A suspeita de intimidação, juntamente com outros elementos reunidos durante o andamento da investigação, foi considerada na análise que resultou na decretação da prisão preventiva da profissional.

Oito mulheres são resgatadas em Planalto

Poucos dias depois da operação realizada em Ijuí, policiais civis de Planalto cumpriram novas diligências em outro estabelecimento que passou a ser investigado. Segundo a Polícia Civil, existem indícios de que o local tenha ligação com o mesmo grupo criminoso.

Durante a ação, oito mulheres foram encontradas e resgatadas.

Os investigadores suspeitam que a organização criminosa seja comandada por um homem que atualmente está preso na Penitenciária Modulada de Ijuí.

Além da advogada, outras duas pessoas investigadas também foram presas nos últimos dias. Uma delas é uma mulher que trabalhava no estabelecimento de prostituição que era alvo da investigação em Ijuí. A outra é um homem apontado pela Polícia Civil como gerente relacionado ao grupo investigado.

De acordo com os investigadores, os dois já eram alvo de pedidos de prisão preventiva e aguardavam uma decisão judicial.

OAB/RS acompanha investigação

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) informou ter sido comunicada sobre a prisão da advogada e solicitou acesso ao conteúdo do inquérito.

A entidade afirmou que irá analisar a documentação e, a partir das informações disponíveis nos autos, avaliar as providências institucionais que forem consideradas necessárias.

Operação começou em agosto

As investigações tiveram início com a Operação Momentum Libertatis, deflagrada nos dias 20 e 21 de agosto pela Polícia Civil de Ijuí. A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e buscava apurar denúncias envolvendo cárcere privado, exploração sexual, agressões físicas e trabalho análogo à escravidão.

Durante a operação, três jovens foram resgatadas, sendo que uma delas estava grávida.

Segundo a Polícia Civil, as mulheres eram submetidas a um sistema de endividamento que dificultava a saída do estabelecimento e restringia a liberdade das vítimas.

Os investigadores também apontam que o local estaria sob controle de uma facção criminosa. As apurações continuam para esclarecer a participação de cada um dos suspeitos e a possível extensão da atuação do grupo.

 

 

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