
O Procon de Passo Fundo suspendeu o pagamento de pelo menos sete faturas de energia elétrica após receber um grande número de reclamações de consumidores que relataram aumentos expressivos nas cobranças. Diante da situação, o órgão notificou a concessionária RGE e informou que o caso também será encaminhado ao Ministério Público.
Entre os consumidores afetados está o empresário Willian Ruan Moraes, que afirma ter recebido uma conta de R$ 759 em julho, enquanto em junho havia pago R$ 201. Segundo ele, o consumo passou de 444 quilowatts-hora (kWh) e aumentou cerca de 150 kWh, percentual que considera muito inferior ao crescimento de quase 300% no valor cobrado. O empresário, que possui sistema de energia solar, afirma ainda ter identificado situações semelhantes em outras seis contas da família.
A comerciante Ana Clara Andrade de Oliveira também relata aumento significativo. A fatura passou de R$ 751 para R$ 2.207. Segundo ela, o valor não corresponde ao consumo da residência e afirma não ter condições de pagar a cobrança.
Outro caso é o da manicure Jenifer Bueno dos Santos, que costumava pagar até R$ 420 e recebeu uma conta de R$ 954. Após procurar a agência da concessionária, foi informada de que será realizada uma análise, com possibilidade de nova leitura do medidor em até cinco dias.
Em alguns casos há relatos que a conta de energia ultrapassou os dois mil reais.
A RGE, pertencente ao Grupo CPFL, informou que o aumento das contas está relacionado ao reajuste tarifário anual autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao maior consumo de energia durante o inverno. Desde 19 de junho, a tarifa residencial da concessionária teve reajuste médio de 14,98%.
O Procon também relata dificuldades no atendimento aos consumidores, com filas nas agências e problemas nos canais eletrônicos. O Balcão do Consumidor da Universidade de Passo Fundo (UPF) registrou aumento na procura por orientações e informou que, apenas em um dia, atendeu 17 pessoas presencialmente, além de dezenas de contatos por telefone. Segundo o órgão, embora o reajuste autorizado tenha sido superior a 14%, os valores cobrados em diversos casos precisam ser esclarecidos pela concessionária. Como se trata de uma demanda coletiva, a situação será encaminhada ao Ministério Público para avaliação da abertura de um inquérito.
■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp.