
O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e em parceria com a Invest RS, realizou na terça-feira (30/6) o evento Novas Energias, no Instituto Ling, em Porto Alegre. A iniciativa reuniu lideranças empresariais, autoridades, especialistas, investidores e representantes da academia e do poder público para debater as oportunidades da transição energética e os avanços do Rio Grande do Sul na construção de uma economia de baixo carbono.
Com foco nas cadeias de etanol, biometano e hidrogênio verde, o encontro teve como objetivo evidenciar o potencial do Estado como um ambiente estratégico, competitivo e preparado para receber investimentos e impulsionar novos negócios sustentáveis, posicionando o Rio Grande do Sul como referência nacional no tema.
A abertura contou com a presença do governador Eduardo Leite, da secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, e do presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, entre outras autoridades. A programação incluiu ainda uma palestra magna da especialista Patrícia Ellen, do Instituto Aya, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, reconhecida por sua atuação nas áreas de economia verde, soluções baseadas na natureza e descarbonização.
Durante a abertura, o governador destacou a importância de consolidar o Estado como protagonista na agenda energética sustentável. “O Rio Grande do Sul vem construindo, ao longo dos últimos anos, uma jornada consistente para se consolidar como protagonista na transição energética. O papel do Estado é criar as condições para que os investimentos aconteçam, organizando informações, produzindo estudos, oferecendo segurança jurídica, agilizando o licenciamento com responsabilidade ambiental e estimulando novos empreendimentos”, afirmou o governador.

“Essa agenda representa não apenas um compromisso com a sustentabilidade, mas uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico. Por isso, a transição energética é um dos pilares do nosso Plano de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Inclusivo, porque acreditamos que o Estado reúne todas as condições para liderar esse movimento e atrair investimentos em áreas como biometano, hidrogênio verde, etanol e outras energias renováveis”, ressaltou Leite.
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura reforçou o compromisso do governo com a construção de políticas públicas estruturantes para o setor. “O Rio Grande do Sul está estruturando, com base técnica e diálogo com os diferentes setores, uma agenda consistente para a transição energética. Temos ativos importantes, capacidade técnica e uma base produtiva consolidada que nos permitem avançar com solidez nas novas energias. Esse movimento, de ouvir os diferentes atores das cadeias, é fundamental para posicionar o Estado como um destino competitivo para investimentos e inovação na economia de baixo carbono, além de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento, com segurança jurídica, previsibilidade e estímulo ao investimento”, destacou Marjorie.
Potencial do RS para liderar transição energética
O Rio Grande do Sul reúne características que o colocam entre os Estados brasileiros com maior potencial para liderar a transição energética baseada em combustíveis renováveis. De acordo com o Balanço Energético Estadual 2015-2024, além da expansão das fontes renováveis na matriz energética, o Estado possui potencial estimado para produzir 2,6 milhões de metros cúbicos de biogás por dia, dos quais cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos podem ser convertidos em biometano. Produzido a partir de resíduos urbanos, industriais e da agropecuária, o biometano apresenta composição semelhante à do gás natural fóssil, podendo substituí-lo em aplicações industriais, no transporte e em sistemas de aquecimento, agregando valor a resíduos que antes não tinham aproveitamento energético. O levantamento também destaca que o Estado possui elevado potencial eólico e solar, criando condições favoráveis para a implantação de projetos de hidrogênio verde, cuja produção depende de grande disponibilidade de energia elétrica renovável.
Nos biocombustíveis, o Rio Grande do Sul já ocupa posição de destaque nacional ao ser o maior produtor brasileiro de biodiesel, contando com nove usinas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), com capacidade instalada de 9.150 m³ por dia. O etanol também desempenha papel estratégico na descarbonização da matriz de transportes. Embora o Estado ainda não produza etanol combustível em escala comercial e dependa de importações para abastecer o mercado interno, sua importância tende a crescer com o aumento gradual da mistura obrigatória à gasolina previsto pela Lei do Combustível do Futuro. Além disso, o etanol permanece como uma das principais alternativas de redução das emissões de carbono no setor de transportes, reforçando seu papel na transição para uma economia de baixo carbono.

O presidente da Invest RS também ressaltou o papel estratégico da articulação entre setor público e iniciativa privada para viabilizar novos investimentos. “O Rio Grande do Sul reúne os elementos que os investidores buscam para desenvolver projetos de transição energética: disponibilidade de recursos, uma base industrial diversificada, capital humano qualificado, ambiente de inovação e compromisso do poder público com uma agenda de longo prazo. Nosso papel é transformar esse potencial em investimentos, conectando empresas às oportunidades e oferecendo um ambiente favorável para que novos empreendimentos se estabeleçam e cresçam no Estado”, disse Prikladnicki.
Espaços de Conexão
Um dos destaques do evento foram os Espaços de Conexão, concebidos como ambientes de diálogo qualificado entre os principais atores das cadeias produtivas. Divididos por temática, etanol, biometano e hidrogênio verde, os encontros reuniram representantes de diferentes segmentos para identificar oportunidades, mapear desafios e propor ações concretas para o desenvolvimento do setor no Estado.
A proposta foi ir além do debate, promovendo a construção coletiva de soluções e o alinhamento de agendas entre governo, empresas, academia e investidores. As contribuições levantadas nas salas serão sistematizadas como insumo para o diagnóstico estadual e consideradas na formulação da Política de Transição Energética do Rio Grande do Sul.
“Encerramos este Espaço de Conexão reforçando o compromisso coletivo de posicionar o Rio Grande do Sul como referência em novas energias e como destino estratégico para investimentos, evidenciando o potencial gaúcho em etanol, biometano e hidrogênio verde”, destacou o diretor de Energia da Sema, Rodrigo Huguenin.
Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom