
“Pouco me importa se o tempo um dia vai me matar,
Eu não nasci pra semente e nem vim aqui pra ficar,
Agradeci a natureza por tudo que ela me deu,
Meu nome fica na historia pra quem não me conheceu”***
Na última segunda-feira, depois de 45 dias internado na UTI do Hospital Santo Antônio de Tenente Portela, o empresário e tradicionalista, Milton Sganderla faleceu vítima da Covid-19.
Para as estatísticas oficiais, Milton é um número em meio a tantas perdas inestimáveis e cruéis que a pandemia impôs ao mundo, mas para Tenente Porela a sua partida é muito mais do que isso.
Milton era aquele homem que não tinha inimizade com ninguém. Aquele tipo de que quem conhecia gostava e quem não conhecia já ouvirá falar bem.
Proprietário da Fármacia Sganderla, Rede Vida, Milton foi muitas vezes o socorro de pessoas que o procuravam em busca de um remédio para esse ou aquele mal, para um conselho medicinal, que sorridente, sempre vestindo bombachas, fazia questão de dar, amparado pelos anos de experiência no balcão do seu estabelecimento comercial. O doutor dos pobres, diziam alguns, mas mais do que isso, a pessoa prestativa, que sempre estava disposta a ajudar.
Milton viveu como vivem os grandes. Trabalhou, construiu e cuidou de sua família e cultivou as suas paixões. O tradicionalismo estava no centro delas.
Um apaixonado por cavalo, pelo movimento tradicionalista, pela história e pela cultura do Rio Grande, herança que passou para seus filhos Tiago, que foi o coordenador de região tradicionalista mais jovem da história e André, conhecido em todos os rodeios do Rio Grande, onde estampa com o orgulho a mesma paixão pelo cavalo que o pai trazia consigo.
Cavalgadas era uma das paixões de Milton Sganderla. Não se fazia de modesto ao afirmar que poucos gaúchos tinham mais quilômetros do que ele no lombo de um cavalo.
Em 2016, por exemplo, foi a Triunfo, e acompanhou a Chama Crioula acessa lá até Tenente Portela. No lombo do cavalo foram mais de 700 quilômetros e essa era apenas uma das incontáveis cavalgadas que esteve presente.
Milton Sganderla, Começou sua vida empresarial, trabalhando com seu pai Olimpio Sganderla como Tumuleiro, e após perder seu pai, começou a trabalhar na Farmácia do Pedro e também na Farmácia do seu Franscisco Sperotto, onde atuou por muitos anos.
Foi em 1986 que Milton Sganderla iniciou sua caminhada profissional com sua Farmácia Central localizada no prédio da Família Braucks.
Após isso ele mudou a farmácia para o Praça do Índio, ao lado da Loja do Elias Amar e mudou-se novamente em 1992 para o local onde até hoje esta localizada a Farmácia Sganderla.
Milton sempre foi um empresário que dava oportunidade as pessoas para iniciar seus primeiros empregos, acreditando e apostando como assim tinham feito com ele.
Foi um homem, que construiu uma história de ajuda na comunidade, oferecendo a todos sua experiência com medicamentos e tratamentos que curaram muitas famílias ao longo de 35 anos de história, onde ganhou o nome carinhoso de “MÉDICO DOS POBRES”.
Foi patrão do CTG Sentinela da Fronteira durante os anos de 1992 a 1994 e conselheiro do MTG-Movimento Tradicionalista Gaúcho em 2010.
Milton tem um dos maiores históricos em cavalgadas do Estado, onde sempre representou Tenente Portela levando a bandeira do município em seus aperos e é membro da ORCAV, Orden Riograndense de Cavaleiros,
Em 2021 foi escolhido como Patrão de Honra do CTG Guardiões da Fronteira.
Milton, foi velado na terça-feira no CTG Sentinela da Fronteira, onde puxado por cavalarianos partiu o cortejo que silenciosamente andou pelas ruas da cidade.
A última cavalgada de Milton Sganderla foi puxada por seu filho André que trazia por diante o cavalo do pai, que naquela hora andava mansamente, cabisbaixo e triste, como se sentindo o que estava acontecendo e reverberando na memória as andanças e conversas que teve com seu dono.
Milton foi sepultado no Cemitério Municipal, mas a sua história segue viva nas lembranças e nos alfarrábios que jamais se apagam.