
Após semanas de indefinição a respeito de seu futuro político, o governador Eduardo Leite anunciou na segunda-feira (28/3) que vai renunciar ao cargo. O comunicado da decisão foi feito em entrevista coletiva, no Palácio Piratini.
— Vou renunciar ao poder para não renunciar à política — disse Eduardo Leite em um vídeo apresentado antes do início da coletiva.
O governador também anunciou que vai permanecer filiado ao PSDB. Ele estava avaliando a possibilidade de migrar para o PSD. O movimento permite que Eduardo Leite esteja apto a concorrer a outros cargos nas eleições de outubro, inclusive a presidente da República.
Com a renúncia de Eduardo Leite, assume o comando do Governo do Estado o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior, que acumula a função de secretário estadual da Segurança Pública desde o início da gestão. Ele é pré-candidato a governador pelo PSDB. O ato de renúncia, com a troca de comando, será formalizado nos próximos dias.
— Tenho absoluta confiança na condução do Ranolfo. Sempre esteve ao nosso lado para acompanhar cada uma das políticas públicas — disse Eduardo Leite.
O governador classificou a eleição deste ano como ‘crítica’ e fez referência a declarações do presidente Jair Bolsonaro no fim de semana sobre ‘inimigos internos’. — A solução para o nosso país que passou por uma época difícil, com inflação, desemprego, crescimento tímido, não está em procurar culpados internamente, mas buscar em nosso potencial o que pode ser feito para superar esses desafios. Estou dando minha contribuição para que se consiga viabilizar um entendimento e apresentar uma alternativa aos brasileiros para que se possa, a partir de 2023, implementar as reformas que são necessárias — destacou Eduardo Leite.
O governador afirmou que vai trabalhar pela união do centro democrático.
— Não contem comigo para dispersar candidaturas. Não é sobre um projeto pessoal, é sobre o Brasil — acrescentou Eduardo Leite.
O governador disse que renunciar ao mandato abre uma série de possibilidades a respeito de seu futuro político, atendendo a determinação da legislação eleitoral, já que se permanecesse no cargo poderia concorrer somente ao Palácio Piratini.
— Telefonei para João Doria (governador de São Paulo) há pouco e conversamos. Respeito as prévias, elas aconteceram e são legítimas. Mas não é sobre as prévias, não é pessoal — revelou Eduardo Leite
Para o governador do RS, as prévias não perdem sua legitimidade, mas, no tempo da política, há possibilidade de discussões e que novas condições se colocam. — Se lá na frente houver a convicção de que outro nome pode fazer mais, é legítimo que se discuta, com outros partidos. Minha convicção é de participar ativamente deste processo. As prévias aconteceram há quatro meses, naquele contexto político. É preciso que nos mantenhamos acima das prévias, acima dos partidos, acima das aspirações pessoais — reforçou Eduardo Leite.
Entre os partidos citados, estão PSD, União Brasil, MDB e Cidadania. Sobre a sucessão no Rio Grande do Sul, disse que o PSDB liderou o projeto até o momento e tem um grande nome para continuar liderando esse projeto, o vice-governador Ranolfo Vieira Júnior. — Tal qual faremos no cenário nacional, faremos a discussão local com os parceiros, entre os quais o MDB, que neste fim de semana apresentou seu nome — disse Eduardo Leite.
Eduardo Leite é o primeiro governador desde Pedro Simon (MDB), em 1990, renunciar ao cargo faltando meses para o final do mandato. Na ocasião, emedebista afastou-se para concorrer ao Senado.
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