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Palmeirense relata rotina na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia

Andrei Soeiro Martins, de 29 anos, falou sobre missões prolongadas, deslocamentos a pé, ataques com drones e artilharia e a distância da família durante atuação em território ucraniano.

Por: Andre Eberhardt Fonte: Sid Farias - Jornalismo RP
19/10/2026 às 14h49
Palmeirense relata rotina na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia
(Foto: Reprodução/Sid Farias - Jornalismo RP

O palmeirense Andrei Soeiro Martins, de 29 anos, relatou os desafios enfrentados na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em entrevista concedida à Rádio Palmeira, ele falou sobre longas caminhadas até posições militares, o risco constante de ataques e os períodos em que permanece sem contato com a família no Brasil.

Natural de Palmeira das Missões, Andrei estudou nas escolas Erci Campos Vargas e Borges do Canto. Antes de viajar para a Ucrânia, trabalhou na construção civil no município e posteriormente na empresa Bruning Tecnometal, em Panambi.

Segundo ele, o interesse em seguir para o país europeu surgiu após o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Naquele período, porém, as oportunidades eram direcionadas principalmente a pessoas com experiência militar. Como não havia servido às Forças Armadas brasileiras, Andrei afirma que posteriormente encontrou uma oportunidade de atuar na Ucrânia e realizar um objetivo pessoal.

Ele deixou o Brasil em março, partindo do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Após passar por Lisboa, em Portugal, seguiu para Varsóvia, na Polônia, e depois viajou de ônibus até Lviv, na Ucrânia. No país, permaneceu inicialmente cerca de uma semana providenciando documentação.

Depois de formalizar o contrato e concluir os procedimentos exigidos, foi encaminhado para uma região próxima à linha de frente, onde realizou aproximadamente 40 dias de treinamento antes de iniciar as missões.

Andrei atua na infantaria, na área de defesa territorial. Conforme seu relato, a rotina envolve deslocamentos, ocupação de posições estratégicas e permanência em locais sujeitos a ataques.

Entre as principais ameaças mencionadas estão os drones e a artilharia. Ele relatou uma missão em que precisou caminhar cerca de 27 quilômetros até uma posição, enfrentando durante o percurso o risco de contato com forças inimigas, drones e projéteis atingindo áreas próximas.

“Foi uma longa caminhada com risco de contato com o inimigo, drones e artilharia caindo próximo a nós. Foram os quilômetros mais tensos e perigosos da minha vida”, afirmou.

Segundo Andrei, deslocamentos de 20 a 25 quilômetros também fazem parte da rotina, já que veículos blindados não conseguem acessar todos os pontos ocupados pela infantaria. Além do esforço físico, os militares precisam permanecer atentos à possibilidade de ataques e à presença de minas terrestres.

Durante a entrevista, ele relatou ainda que quatro brasileiros morreram após serem atingidos alguns quilômetros à frente de sua posição. O episódio, segundo Andrei, evidenciou os riscos enfrentados por quem permanece nas áreas próximas aos combates.

As missões também podem se estender por longos períodos. De acordo com o palmeirense, é comum permanecer em posições durante 30 ou 40 dias, havendo situações em que o período chega a aproximadamente 70 dias, dependendo das condições operacionais e dos revezamentos.

Outro desafio relatado envolve a retirada de militares feridos. Em determinadas áreas, segundo Andrei, as condições do terreno e de segurança podem fazer com que uma evacuação demore entre sete e dez dias.

Além das dificuldades físicas, o afastamento da família é apontado como uma das partes mais difíceis da experiência. Durante algumas missões, Andrei afirma permanecer um mês ou até 40 dias sem contato direto com familiares.

Quando as condições permitem, ele conversa pelo WhatsApp e realiza ligações para a mãe e o filho. A saudade aparece principalmente nos momentos em que recorda atividades simples da rotina em Palmeira das Missões, como tomar chimarrão, fazer churrasco com a família, encontrar amigos e passear com o filho.

Andrei integra uma estrutura organizada em brigadas e batalhões e relata atuar ao lado de pessoas de diferentes nacionalidades, entre brasileiros, ucranianos, colombianos, georgianos e alemães. As diferenças de idioma são enfrentadas também com o auxílio de aplicativos de tradução.

Ao final da entrevista, o palmeirense afirmou que mantém a expectativa de retornar em segurança ao Brasil e reencontrar a família, especialmente o filho.

O relato apresenta a dimensão pessoal de quem vive em uma zona de conflito, marcada não apenas pelos riscos das operações militares, mas também pela distância de casa e pela expectativa de voltar à rotina em Palmeira das Missões.

 

 

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