
O excesso de chuva tem dificultado a colheita do trigo e ampliado o risco de perdas de rendimento e qualidade no Rio Grande do Sul. Conforme o levantamento da Emater-Ascar, a retirada do cereal chegou a 9% da área cultivada, com avanço irregular e interrupções provocadas pelas condições climáticas. Na região, a umidade persistente e a baixa luminosidade prejudicaram o enchimento e a maturação dos grãos.
A produtividade regional está estimada em pouco mais de 2.400 quilos por hectare, mas permanece a possibilidade de novas reduções de peso e de qualidade. O cenário limitou a formação de reservas nas plantas e aumentou os registros de sintomas de bacteriose e de morte prematura, antes da conclusão do enchimento.
No conjunto das lavouras gaúchas, as estimativas de rendimento variam, com indicativos de queda em diversas áreas. Ainda assim, plantações com melhor manejo ou que escaparam dos eventos adversos mantêm potencial produtivo satisfatório. Para a safra de 2026, a Emater-Ascar projeta 814.220 hectares semeados e produtividade média de 2.701 quilos por hectare.
Nas áreas em fase reprodutiva, que representam 50% do total, a combinação de precipitações frequentes, elevada umidade do ar e pouca radiação solar compromete o desenvolvimento dos grãos. Outros 40% estão próximos da colheita, com registros de descoloração da palha e enrugamento dos grãos. Essas alterações elevam o risco de redução do peso hectolitro (PH) – um dos parâmetros utilizados na avaliação comercial do trigo.
Para antecipar a retirada do cereal e preservar suas características, produtores recorreram à dessecação, buscando uniformizar a maturação. Entretanto, a colheita com maior teor de umidade aumenta os custos de secagem e beneficiamento.
Nas plantações mais tardias, o tempo chuvoso restringe as operações de controle fitossanitário e favorece o avanço de doenças, como giberela, brusone e bacterioses. Os temporais com granizo e ventos fortes também provocaram acamamento, quebra de espigas e debulha, principalmente no Noroeste do RS.
Diante dos prejuízos, agricultores vêm acionando o Proagro e outros seguros agrícolas. As vistorias estão em andamento para dimensionar as perdas nas propriedades atingidas.
■ Notícias no WhatsApp:
Receba as notícias do Site Clic Portela no seu telefone celular! Clique aqui e faça parte do nosso grupo de WhatsApp.