
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) 01/2026 realizou, na quarta-feira (14), uma sessão no plenário João Cheller Filho, em Tenente Portela, com a participação do diretor executivo da Corsan/Aegea, Maximiliano Alves de Moraes. Durante a oitiva, foram discutidos problemas relacionados ao abastecimento de água no município, reclamações sobre os valores das faturas, dificuldades na leitura dos hidrômetros e falhas no retorno aos consumidores que procuram os canais de atendimento da companhia.
Ao longo dos questionamentos, o representante da Corsan apresentou explicações sobre as dificuldades enfrentadas no sistema de abastecimento e as medidas que a empresa pretende adotar para reduzir as interrupções. Também orientou a população sobre como proceder diante de problemas com leituras, cobranças e solicitações sem resposta.
Segundo Maximiliano Alves de Moraes, as interrupções no fornecimento de água registradas em Tenente Portela ao longo de 2026 estão relacionadas, principalmente, à falta de energia elétrica e às condições das fontes de captação durante períodos de chuvas intensas.
O diretor explicou que o município conta com 14 poços no sistema de abastecimento. Quando ocorre falta de energia, as bombas deixam de funcionar, comprometendo o fornecimento. Já em períodos de chuva intensa, algumas fontes são atingidas por águas turvas, com partículas de argila, o que exige a interrupção do tratamento até que as condições permitam a retomada do processo.
De acordo com ele, a reserva disponível não é suficiente para sustentar o abastecimento por períodos prolongados quando o tratamento precisa ser interrompido.
Como alternativa, a Corsan trabalha na implantação de um filtro para reduzir os efeitos da turbidez da água captada. Durante a CPI, Maximiliano informou que a previsão era instalar o equipamento nos próximos dois ou três meses. A companhia também pretende modificar a forma de operação do sistema durante os episódios de chuva, buscando reduzir a necessidade de desligamentos.
Outra medida em andamento é a equalização da pressão na rede. Conforme o diretor, a intenção é aumentar a pressão em pontos onde ela é insuficiente e reduzi-la em locais onde está elevada, diminuindo o risco de novos rompimentos e vazamentos.
A companhia também busca alternativas para ampliar a capacidade de captação, incluindo a possibilidade de perfurar novos poços ou aumentar a profundidade de estruturas existentes, conforme a viabilidade.
Durante a CPI, o abastecimento do Hospital Santo Antônio também foi mencionado, especialmente em relação à utilização de caminhões-pipa em períodos de desabastecimento.
Em contato com a reportagem, o hospital informou que o abastecimento por caminhões-pipa ocorre somente em situações de emergência, como medida preventiva para evitar que falte água na instituição.
Ainda conforme as informações repassadas à equipe de reportagem, a Corsan também mantém contato com o hospital para verificar os níveis de água nos reservatórios, acompanhando a situação e buscando garantir a continuidade do abastecimento.
Outro tema abordado durante a oitiva foi o número de reclamações de consumidores sobre valores considerados elevados nas faturas de água.
Questionado sobre o assunto, Maximiliano afirmou que, no sistema da Corsan, havia somente três registros de reclamações relacionadas a contas altas. O diretor também declarou que, na avaliação da companhia, grande parte das reclamações estaria relacionada à interpretação das cobranças, incluindo multas e parcelamentos.
Em relação à leitura dos hidrômetros, o representante explicou que, quando o leiturista não consegue acessar o equipamento, a companhia pode utilizar a leitura por média. Isso pode ocorrer quando o imóvel está fechado, o portão está trancado ou há situações, como a presença de cães no pátio, que impedem o acesso.
Segundo ele, a média considera o consumo habitual do imóvel, com posterior ajuste quando a leitura efetiva é realizada.
Entretanto, Maximiliano reconheceu que, se o leiturista tiver acesso ao hidrômetro e mesmo assim não realizar a leitura, a situação precisa ser apurada. Nesses casos, a orientação é que o consumidor comunique a companhia para que o ocorrido seja investigado.
Um dos pontos importantes abordados durante a CPI foi a orientação aos consumidores que enfrentam dificuldades para resolver problemas pelos canais oficiais de atendimento.
Maximiliano afirmou que a companhia recebe e trata as reclamações, mas reconheceu que nem todas resultam em um retorno ao cliente. Por isso, orientou que os consumidores que não obtiverem resposta registrem uma nova manifestação, informando o protocolo da solicitação anterior.
O protocolo é importante para identificar a reclamação original, permitir o acompanhamento do caso e demonstrar que já houve uma tentativa de atendimento.
Confira os canais e procedimentos mencionados durante a oitiva:
Telefone e WhatsApp: a Corsan informou o número 0800 646 6444 como canal de atendimento.
Guarde o protocolo: ao registrar uma reclamação, anote o número fornecido pela companhia. Ele serve como referência para acompanhar a solicitação.
Se não houver retorno: entre novamente em contato e informe o protocolo anterior, explicando que o problema continua sem solução ou que não houve resposta.
Problemas na leitura do hidrômetro: informe o endereço do imóvel e explique o ocorrido, principalmente se havia acesso ao equipamento e, mesmo assim, a leitura não foi realizada.
Atendimento presencial: conforme informado durante a CPI, o atendimento local da Corsan ocorre às segundas e quartas-feiras, no período da tarde. Quem já tentou resolver a situação pelos canais de atendimento sem sucesso pode procurar a equipe nesses dias e apresentar o histórico da reclamação.
O diretor também destacou que, quando houver problemas recorrentes sem solução ou sem retorno, o consumidor pode procurar o atendimento presencial para relatar o caso, permitindo que a equipe avalie a situação e busque encaminhamentos.
Em entrevista à Rádio Província FM, o vereador Luciano Berta afirmou que os próximos passos da Comissão Parlamentar de Inquérito ainda serão definidos em conjunto com a equipe responsável pelos trabalhos. Segundo ele, a expectativa é avançar na elaboração e no encaminhamento do relatório final, que deverá reunir os apontamentos da investigação.
O vereador informou que a CPI teve o prazo prorrogado por mais 120 dias e que, no momento da entrevista, restavam aproximadamente 20 dias para a conclusão dos trabalhos. A expectativa, conforme Berta, é que o relatório seja encaminhado dentro desse período e, posteriormente, avaliado pelos órgãos competentes.
Luciano ressaltou que a comissão busca dar encaminhamento às reclamações apresentadas pela comunidade, especialmente em relação aos problemas de abastecimento de água enfrentados em Tenente Portela. Segundo ele, durante a oitiva do representante da Corsan/Aegea, foram realizadas mais de 30 perguntas relacionadas às demandas recebidas pelos vereadores.
O parlamentar enfatizou que a CPI precisa seguir os trâmites legais antes de chegar a uma conclusão, destacando que o objetivo é cobrar esclarecimentos e buscar respostas para a população.
Durante a sessão, Maximiliano afirmou que a equipe responsável pela regional trabalha para melhorar o atendimento e reduzir os problemas no sistema de abastecimento. Ele reconheceu que ainda existem dificuldades em Tenente Portela, especialmente durante períodos de chuvas intensas e em bairros que enfrentam baixa pressão na rede.
O diretor também manifestou disposição para retornar futuramente ao município e apresentar aos vereadores os resultados das medidas adotadas, incluindo os pontos em que houve avanços e aqueles que ainda precisam de melhorias.
Com a CPI 01/2026 na fase final, a expectativa é que o relatório reúna os esclarecimentos obtidos durante a investigação e indique os encaminhamentos cabíveis diante das reclamações apresentadas pela comunidade. Conforme o vereador Luciano Berta, a previsão informada é de aproximadamente 20 dias para a conclusão dos trabalhos e o encaminhamento do documento.
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