
Um caso envolvendo um comunicador da Rádio Municipal AM 620 e um vereador de Tenente Portela vem ganhando repercussão na região após divergências relacionadas à abordagem de assuntos de interesse público no município. O episódio reúne versões distintas sobre a atuação da comunicação, o direito ao contraponto e a forma como críticas e manifestações públicas vêm sendo conduzidas.
Entre os assuntos que contribuíram para o início da situação está a retirada dos food trucks instalados no entorno das praças, em razão da sequência das obras de pavimentação. A medida, prevista por tempo indeterminado, passou a gerar preocupação entre os comerciantes e manifestações públicas do vereador, que criticou a decisão do Executivo e passou a defender a situação dos trabalhadores.
A partir da repercussão dessas discussões e de outros posicionamentos apresentados durante a programação da emissora, o comunicador afirma ter sido alvo de situações que considera constrangedoras e intimidatórias em seu próprio ambiente de trabalho. Segundo ele, o desabafo publicado nas redes sociais ocorreu após uma sequência de acontecimentos que, na sua avaliação, ultrapassaram limites.
O profissional da comunicação afirma que não está tomando partido político ou perseguindo qualquer pessoa e que sua atuação está relacionada ao exercício da profissão e ao compromisso de informar a comunidade. Também ressalta que considera legítimo o direito de críticas e divergências, mas defende que isso não deve impedir o trabalho de comunicação.
Na manifestação, o comunicador afirma ainda que pretende continuar exercendo sua função diante do microfone e levando informação à comunidade, sem transformar o episódio em uma disputa pessoal ou política.
Já o vereador apresenta uma versão diferente sobre o caso. Ele questiona a forma como o assunto foi conduzido e afirma que deveria ter sido procurado para apresentar o contraponto antes da divulgação de determinadas abordagens.
Segundo o parlamentar, em programa anterior, houve espaço para críticas aos vereadores durante uma transmissão realizada a partir do gabinete, situação que motivou sua manifestação na tribuna. Ele afirma que sua ida à rádio teve o objetivo de conversar com o diretor e contestar o que considerou uma forma unilateral de tratar o assunto, já que, na avaliação dele, os vereadores não tinham espaço para se manifestar naquele momento.
O vereador também nega que tenha tido a intenção de ameaçar ou intimidar o comunicador. Segundo seu relato, houve uma manifestação de indignação diante da forma como seu nome teria sido citado durante o programa, além da preocupação com a situação dos comerciantes dos food trucks, que, segundo ele, enfrentam dificuldades financeiras.
O episódio também recebeu manifestação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado do Rio Grande do Sul, Sindicato dos Radialistas do RS. Em nota publicada em 7 de outubro de 2026, a entidade afirma repudiar o que classifica como condutas de intimidação, constrangimento e assédio moral contra um profissional da Rádio Municipal AM 620.
Em nota, o sindicato destaca a trajetória de 56 anos da emissora e afirma que a rádio possui compromisso histórico com a informação, a prestação de serviço e o contraditório. A entidade sustenta que críticas e divergências fazem parte do processo democrático, mas não devem resultar em constrangimento ou tentativa de deslegitimar profissionais de comunicação.
O sindicato informa ainda que acompanha o caso e presta apoio institucional e jurídico ao profissional envolvido, defendendo que eventuais divergências sejam tratadas por meio do diálogo e do direito de resposta.
Com as manifestações do comunicador, do vereador e do Sindicato dos Radialistas, o caso passa a envolver diferentes interpretações sobre os limites entre crítica, direito ao contraponto e o exercício da atividade de comunicação no município.
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