
O cenário político definido pelo primeiro turno das eleições passou a interferir diretamente nas discussões sobre a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Senado. Embora o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tenha mantido o calendário de debates da proposta nesta semana, a votação ainda é considerada incerta diante da nova correlação de forças no Congresso.
A PEC será discutida em três sessões semipresenciais, marcadas para terça-feira (6), quarta-feira (7) e quinta-feira (8). O objetivo é avançar na tramitação do texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Entretanto, senadores da oposição articulam uma estratégia para não comparecer às sessões e, com isso, dificultar a formação do quórum necessário para que a proposta avance.
O movimento ganhou força após o resultado das eleições de domingo (4), que ampliou o espaço da direita no Senado. O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, elegeu 19 parlamentares e passará a contar com uma bancada de 28 senadores a partir de 2027. O resultado também fortaleceu a oposição na disputa pela presidência do Senado, atualmente comandado por Alcolumbre.
A mudança no equilíbrio político aumenta as dificuldades para que Alcolumbre consiga construir um acordo em torno da PEC. O presidente do Senado havia anunciado o calendário de discussão às vésperas do primeiro turno, em um movimento interpretado como uma sinalização ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que considera o fim da escala 6x1 uma das prioridades no Congresso.
Agora, com o fortalecimento da oposição, líderes governistas avaliam que as chances de votação imediata diminuíram. A estratégia de esvaziar as sessões pode impedir o avanço da proposta justamente no momento em que o Senado começa a reorganizar suas forças para a próxima legislatura.
Além da disputa em torno da PEC, o resultado eleitoral também influencia a própria sucessão no comando do Senado. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já confirmou que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pretende disputar a presidência da Casa em 2027.
Pelas regras do Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa ser discutida antes de cada votação. São necessárias cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e outras três antes do segundo. Para acelerar esse processo, os senadores precisam aprovar um calendário especial por maioria simples.
Na votação, a exigência é ainda maior: a PEC precisa do apoio de pelo menos três quintos dos senadores, ou seja, 49 dos 81 parlamentares, em dois turnos.
Diante do novo cenário político, a discussão sobre o fim da escala 6x1 passa a depender não apenas do conteúdo da proposta, mas também da capacidade de articulação entre governo, oposição e a atual direção do Senado. O resultado das eleições, portanto, pode ser decisivo para determinar se a PEC avançará ainda em 2026 ou ficará para a próxima legislatura.