
Às 10h49min, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vestindo um terno azul-marinho e uma gravata com listras em diagonal nas cores da bandeira do Brasil, subiu à tribuna e se dirigiu ao púlpito da ONU. Logo na sua primeira manifestação, deu o tom do que seria o discurso na abertura da 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas:
— Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra.
Lula destacou que o momento deveria ser de celebração das Nações Unidas, que completa 80 anos em 2025. No entanto, destacou que os ideais que inspiraram a fundação da ONU estão ameaçados como nunca antes. Segundo o presidente brasileiro, o multilateralismo enfrenta uma nova encruzilhada, e a "autoridade da organização está em xeque", completou.
Defesa da soberania nacional
O presidente da República afirmou que não há justificativa para as retaliações do governo Trump contra o Brasil.
— Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis (...) Agressão contra o Poder Judiciário é inaceitável. (...) Seguiremos como país soberano e povo unido contra qualquer tipo de ameaça— declarou.
Logo após a fala foi aplaudido em meio ao discurso.
A questão Bolsonaro e a soberania nacional
Na segunda parte da declaração, Lula abordou o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, defendendo a legalidade e a autonomia do sistema judiciário brasileiro. Ele destaca que o ex-presidente teve “amplo direito de defesa”, o que, segundo ele, valida a legitimidade do julgamento perante a lei.
Guerra em Gaza
— Nada justifica o genocídio em Gaza — afirmou Lula ao comentar o conflito entre Israel e o Hamas.
— Em Gaza, a fome é usada como arma de guerra, e o deslocamento forçado de populações ocorre impunemente— criticou.
Lula também expressou solidariedade aos judeus que se opõem à incursão militar israelense.
Mujica e Papa Francisco, dois humanistas
Lula citou as mortes de Pepe Mujica e do papa Francisco. Segundo o presidente, ambos encarnaram os valores humanistas da Assembleia Geral da ONU e devem servir de exemplo para os líderes do futuro.
— Precisamos de lideranças com clareza de visão que entendam que a ordem internacional não é um jogo de soma zero. O século 21 será cada vez mais multipolar. Para ser pacífico, não pode deixar de ser multilateral — afirmou o brasileiro.