
A Polícia Civil do Paraná confirmou, nesta sexta-feira (19), que os corpos de quatro homens desaparecidos desde agosto foram encontrados em Icaraíma (PR), após uma série de escavações iniciadas no dia anterior. As vítimas — Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza — haviam viajado de São José do Rio Preto (SP) ao Paraná no dia 4 de agosto, com o objetivo de cobrar uma dívida relacionada à venda de uma propriedade rural.
Segundo o delegado Gabriel Menezes, o reconhecimento das vítimas foi possível por meio das roupas encontradas com os corpos. A principal linha de investigação envolve Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, que são apontados como os principais suspeitos do crime. Ambos estão foragidos desde que deixaram a propriedade em Vila Rica do Ivaí, após serem ouvidos e liberados pela polícia, no início das investigações.
Os nomes da defesa de pai e filho não foram divulgados, e o g1 tentou contato, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
A viagem das vítimas teve início no dia 4 de agosto, quando Robishley, Rafael e Diego saíram de São Paulo rumo a Icaraíma para realizar uma cobrança. Alencar, morador local, contratou os três homens e se juntou a eles assim que chegaram. No mesmo dia, o grupo teria ido ao distrito de Vila Rica do Ivaí, onde residem os suspeitos, para cobrar o valor devido.
Após esse primeiro contato, combinaram de voltar no dia seguinte. Em 5 de agosto, câmeras de segurança registraram os quatro homens conversando no balcão de uma padaria de Icaraíma por volta das 10h da manhã. A partir das 12h do mesmo dia, eles deixaram de responder às tentativas de contato feitas por familiares.
No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley registrou boletim de ocorrência em São Paulo, comunicando o desaparecimento do marido e dos dois amigos.
Ainda no dia 6, a Polícia Civil foi até a propriedade onde os quatro estiveram. Lá, Antonio e Paulo Buscariollo foram encontrados, levados à delegacia e liberados. Durante o interrogatório, eles admitiram que havia um negócio envolvendo a venda de um terreno entre Alencar e dois parentes, mas alegaram não ter relação direta com a dívida.
Os dois homens se tornaram oficialmente suspeitos quando fugiram da propriedade após serem liberados pela polícia. Desde então, não foram mais vistos. A Justiça expediu mandados de prisão temporária contra ambos.
De acordo com o delegado Gabriel Menezes, Alencar vendeu uma propriedade rural no valor de R$ 255 mil à família dos suspeitos. O pagamento foi acordado em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma das parcelas foi quitada.
Conforme informações fornecidas por familiares das vítimas à polícia, Robishley, Rafael e Diego atuavam há cerca de 13 anos na área de cobrança de dívidas. Embora uma das esposas tenha citado que o valor total da cobrança seria de R$ 1 milhão, e outras fontes tenham mencionado R$ 100 mil, o delegado informou que apenas o valor de R$ 255 mil está confirmado oficialmente na investigação.
A picape utilizada pelas vítimas foi localizada em 12 de setembro, após o pai de uma delas receber uma carta anônima indicando o local do veículo. Um informante também colaborou com as investigações. O carro foi encontrado coberto por uma lona, dentro de um bunker, e apresentava marcas de sangue e perfurações de tiros.
Durante buscas na mesma região, no domingo, 14 de setembro, foram localizadas duas munições de calibre 9 mm na propriedade anteriormente vendida por Alencar aos suspeitos. Esse imóvel fica próximo de onde o carro foi escondido.
As escavações para localizar os corpos começaram no dia 18 de setembro, na área onde a picape foi encontrada. A Polícia Civil confirmou a morte dos quatro homens no dia seguinte. O inquérito segue em sigilo, com foco na identificação de todos os envolvidos no crime.
Além de pai e filho, outros familiares que moravam com eles na propriedade também desapareceram. Eles estão sendo investigados, mas os nomes não foram divulgados até o momento.