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Polícia Civil aponta legítima defesa em morte de agricultor durante abordagem da BM

Laudos e imagens confirmam que Valdemar Both avançou com machado contra policiais em Santa Maria

Por: Marcelino Antunes Fonte: G1RS
04/09/2025 às 09h12
Polícia Civil aponta legítima defesa em morte de agricultor durante abordagem da BM
(Foto: Divulgação)

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte de Valdemar Both durante uma abordagem da Brigada Militar (BM) em uma propriedade rural no distrito de Palma, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), os policiais envolvidos agiram em legítima defesa, e não serão indiciados.

O caso aconteceu em julho. Valdemar Both tinha 53 anos.

A investigação, que envolveu análise de laudos de necropsia, balística e imagens de câmeras de segurança, confirmou a versão apresentada pelos agentes. De acordo com a polícia, os vídeos mostrariam que Valdemar, contrariado com a fiscalização ambiental, teria pegado um machado e investido contra os policiais, o que teria levado à reação com disparos de arma de fogo.

“Foi uma resposta direta a uma agressão injusta, atual e iminente, representando um risco real e imediato à vida dos agentes”, diz a nota da Polícia Civil.

A corporação afirmou que a abordagem fazia parte de uma fiscalização de rotina por crime ambiental.

A defesa da família de Both afirma que alega que “ainda não teve acesso a conclusão do inquérito da polícia civil. Após ter o conhecimento, irá se manifestar”.

A Brigada Militar já havia concluído o Inquérito Policial Militar (IPM), também apontando legítima defesa.

Segundo a BM, a equipe realizava patrulhamento na área rural do município e se deparou com um estabelecimento que processa e comercializa produtos de origem florestal. Valdemar não tinha licença ambiental para operação, conforme os policiais. O agricultor também não teria autorização de porte e uso de motosserras.

Imagens mostram sequência de acontecimentos

Imagens de câmera de monitoramento da propriedade onde um agricultor foi morto a tiros mostram a sucessão de acontecimentos, desde a chegada da polícia na propriedade, até a remoção do corpo.

 *  A viatura chega na propriedade às 16h34
 * Os disparos ocorrem quase uma hora depois, às 17h24
 * Dezessete minutos depois, os policiais entram na viatura e tiram o veículo do local, retornando seis minutos mais tarde com outras duas pessoas
 * O SAMU chega às 18h58
 * A perícia no local inicia após às 19h
 * E às 21h o corpo é removido
 

“Os policiais fuzilaram o pai”, diz filho

A mulher do agricultor chegou em casa horas depois do incidente. Cléria Both, de 49 anos, trabalha como massoterapeuta e estava em outro bairro. No entanto, ao receber um áudio de uma amiga perguntando o que estava acontecendo, não entendeu e teria ido para casa:

“Quando cheguei [em casa], meu filho abriu a porta e disse: ‘os policias fuzilaram o pai’. Estou até agora sem entender, estou sem chão”, relata a mulher.

“Era uma pessoa extremamente boa. Ele ajudava todos aqui da comunidade”, comenta a vizinha Cleusa Pereira.

Gabriel lembra da ação do pai em maio de 2024, quando o Rio Grande do Sul foi afetado pela pior catástrofe climática já registrada no estado:

“Sempre disposto a ajudar os outros. No período das enchentes, não mediu esforços”, comenta o filho.

Nota da Polícia Civil
“A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Santa Maria, concluiu o Inquérito Policial que apurava a morte de Valdemar Both, ocorrida em 1º de julho de 2025, durante uma intervenção da Brigada Militar em uma propriedade rural. Após uma análise técnica e detalhada de todas as provas, a investigação determinou que os policiais militares envolvidos agiram sob a excludente de ilicitude da legítima defesa. A decisão foi fundamentada em um robusto conjunto probatório, que incluiu laudos de necropsia, balística e, de forma decisiva, a análise das imagens das câmeras de segurança do local, que confirmaram a dinâmica dos fatos narrada pelos agentes.

A investigação demonstrou que, durante uma fiscalização de rotina por crime ambiental, a situação escalou de forma drástica quando o Sr. Valdemar Both, contrariado com os procedimentos, apanhou um machado e investiu contra a guarnição. As imagens de vídeo e os laudos periciais comprovaram que a reação dos policiais, com disparos de arma de fogo, foi uma resposta direta a uma agressão injusta, atual e iminente, representando um risco real e imediato à vida dos agentes. Ficou constatado que o uso da força foi moderado e estritamente necessário para neutralizar a ameaça letal, cessando imediatamente após o agressor ser contido. Por não haver crime na conduta dos policiais, o inquérito foi finalizado e remetido ao Poder Judiciário sem o indiciamento dos mesmos.”

 

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