A Argentina está prevista para retomar sua posição como maior fornecedor de trigo ao Brasil, devido à redução na produção nacional na última safra. O Rio Grande do Sul, que exportou mais de 3 milhões de toneladas nos últimos dois anos, agora enfrenta a necessidade de importar até 700 mil toneladas.
O analista Elcio Bento, da consultoria Safras & Mercado, destacou que a queda na produção brasileira, inicialmente estimada em 11,5 milhões de toneladas, resultará em uma colheita de cerca de 8,6 milhões de toneladas. Dessa produção, pelo menos 3 milhões de toneladas são de trigo de baixa qualidade. O Rio Grande do Sul, que teve uma redução de cerca de 10% na área plantada, será um dos estados mais afetados.
Bento observou que, em dezembro, já ocorreu a chegada de três navios da Argentina com destino a moinhos gaúchos, indicando a mudança na dinâmica do abastecimento. A área plantada no Brasil na última safra aumentou 0,6% em relação ao ano anterior, mas a quebra de produção no Rio Grande do Sul, compensada por aumentos em outros estados, resultará em uma maior dependência das importações, consolidando a Argentina como principal fornecedor de trigo ao Brasil.