Especiais Tradicionalismo
Cavalgada da Chama Crioula percorre mais de 600 quilômetros até a região
Cavaleiros levam a chama crioula para todos os cantos do Rio Grande do Sul e para outros estados
25/08/2023 14h24 Atualizada há 3 anos
Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
Cavaleiros levam a chama crioula para todos os cantos do Rio Grande do Sul e para outros estados (Foto: Giordano Bruno)

Um grupo de cavalarianos, principalmente formado por tradicionalistas de Tenente Portela e região, está atualmente em uma jornada que percorrerá quase 700 quilômetros, desde a cidade histórica de Cristal até Três Passos. O objetivo desta epopeia é trazer a Chama Crioula, símbolo emblemático dos festejos farroupilhas, até a cidade de Três Passos, de onde será distribuída para todos os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) da 20ª Região Tradicionalista.

A jornada teve início no último sábado, 19, no Parque Histórico General Bento Gonçalves, que já foi a fazenda e moradia do comandante revolucionário na Guerra dos Farrapos. A Chama Crioula percorrerá o trajeto até o dia 7 de setembro, quando finalmente chegará em Três Passos. No dia 8 de setembro, a chama será distribuída para toda a região, marcando o início dos festejos farroupilhas que oficialmente começam no dia 12 de setembro.

A Chama Crioula é um símbolo sagrado e tradicional para os gaúchos, representando a tradição e a cultura do Rio Grande do Sul. A sua geração e distribuição ocorrem todos os anos, uma vez em cada uma das 30 regiões tradicionalistas do estado, ou seja, depois de gerada ela só retorna para a mesma região após pelo menos 30 anos. Portanto, é um evento raro e significativo para a comunidade tradicionalista.

Em Cristal, o evento registrou a história do município e a sua importância dentro do desenvolvimento da cultura gaúcha, mas principalmente pelo seu valor histórico diante da Revolução Farroupilha. Por ser a casa de Bento Gonçalves, foi naquele lugar que muitas das decisões que foram tomadas pelos farrapos aconteceram. O local também foi o refúgio para as mulheres das famílias de Bento Gonçalves durante toda a revolução farroupilha. A série da Globo, A casa das 7 mulheres, conta essa história. A importância dessas mulheres foi retratada pela cerimonia de geração da chama crioula no último sábado. 

Giordano Bruno Fornari, vice-coordenador da 20ª Região Tradicionalista, coordenador de cavalgadas da região e membro da Ordem dos Cavaleiros do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), está liderando o grupo da nossa região pelo segundo ano consecutivo. Acompanhado por sua esposa e até mesmo por sua filha Lívia, que completará seu primeiro ano de vida em setembro, a jornada reforça a tradição passada de geração em geração, mantendo a cultura gaúcha viva e forte ao longo do tempo, mostrando que a chama farroupilha, que está acessa no coração de todos os gaúchos tem vida longa garantida e por muito tempo.

A história:

A ideia do fogo simbólico para o Brasil, de forma concreta, veio da Alemanha, em 1936, por ocasião, dos Jogos Olímpicos de Berlim, que, inspirados nos gregos, usaram a força do simbolismo da tocha olímpica como uma maneira de unificar o povo alemão e desenvolver um forte sentimento nacionalista. Esta ideia também foi usada por Getúlio Vargas (1930-1945) “para legitimar uma cultura nacional”.

No Rio Grande do Sul, a corrida do fogo simbólico foi resultado da apropriação e representação de elementos históricos e culturais adquiridos durante os jogos de Berlim, pois lá estavam os gaúchos Túlio de Rose, Ernesto Capelli, João Carlos Daudt e Humberto Sachs, observando a cerimônia e a participação do povo em torno do fogo simbólico. Túlio de Rose ficou impressionado com a força que a tocha proporcionava à população. 

Dizia Túlio: “Era como se ela pudesse abençoar e proteger aquele povo, que demonstrava uma grande paixão pelo seu país” (Revista Globo, 1939, p. 66). Ao retornar, decidiu organizar uma corrida com a tocha cívica, com o apoio da Liga de Defesa Nacional. A primeira Corrida do Fogo Simbólico no Brasil foi realizada em 1938, por Túlio de Rose. Teve como ponto de partida a Igreja Matriz de Viamão, com a chegada da pira da pátria no Parque Farroupilha, em Porto Alegre. No segundo ano de sua realização, a corrida partiu da igreja no centro da cidade de Rio Pardo, chegando a Porto Alegre.