Especiais Questão Indígena
Demarcação de terra indígena em Vicente Dutra gera incerteza entre comunidade branca
Pelos menos 300 pessoas dentro da área que agora pertence a Terra Indígena Rio dos Índios
05/05/2023 13h26
Por: Jonas Martins Fonte: Jornal Província
Localização da Terra Indígena Rio dos índios na cidade de Vicente Dutra (Foto: Reprodução/Gaúcha ZH)

O Governo Federal acaba de regularizar diversas terras indígenas pelo Brasil, incluindo a aldeia localizada na cidade de Vicente Dutra, a 70 quilômetros de Tenente Portela. A área, habitada por 143 indígenas Caingangue, agora terá direito aos 711 hectares de terra demarcados e delimitados pelo Governo Federal como Terra Indígena Rio dos Índios.

No entanto, essa decisão tem gerado tensão entre os indígenas e agricultores e empresários de etnia branca que vivem na área que agora pertence aos indígenas. Enquanto a comunidade liderada pelo cacique Luiz Salvador comemora a decisão, entre a comunidade branca o clima é de preocupação, com o temor de ter que deixar as terras que ocupam imediatamente.

A área já teve uma história de ocupação indígena no início do século 19, mas com a chegada de europeus na região e uma reforma agrária ocorrida em meados do século 20, a situação mudou. Em 1997, um grupo de indígenas iniciou um processo de cobrança de posse das terras e o número de moradores, que era de 41 em 2000, cresceu para os atuais 143.

O problema é que dentro da área que agora pertence aos indígenas, moram cerca de 300 pessoas brancas, além de outros que cultivam a área ou têm empreendimentos no local. Entre eles, há um empreendimento turístico compartilhado que ocupa cerca de 25 hectares, com 196 cabanas no chamado complexo Água do Prado. Em média, cada uma pertence a um proprietário que aluga as casas para turistas, principalmente durante o verão, a um custo de R$ 150 por dia na estação. Dezessete famílias moram nessas cabanas, enquanto as demais pertencem a pessoas de diversos municípios da região. O empreendimento oferece aos visitantes piscina gelada e aquecida, lamaterapia e conta até com um centro de saúde, e fica no coração da área que agora será devolvida aos indígenas.

A recém-nomeada Coordenadora Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Maria Inês de Freitas, que é caingangue, acredita que uma solução pacífica para o dilema dos brancos residentes em terras indígenas será construída, já que a homologação não significa posse imediata de toda a terra por parte dos indígenas. Existe, inclusive, na Justiça Federal, uma ação judicial na qual é reivindicado, caso saia a homologação, que os descendentes de europeus residentes na área indígena recebam um local para morar.

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