Não é difícil dizer que Tite foi o responsável pelo Brasil ter ido tão mal na Copa do Mundo. O Brasil não fez nenhuma partida brilhante, mesmo jogando com adversários da terceira prateleira do futebol mundial, e caiu diante da Croácia, mais uma vez nas quartas-de-final.
Tite é um grande treinador. Conhece muito de futebol e sabe, como poucos, como manter e controlar o grupo de jogadores. Tem uma ideia de futebol que é bem definida e elaborada, mas sofre de um problema que eu já o critico desde os tempos de Grêmio: não consegue desenvolver variações de jogo.
Em uma Copa do Mundo, você precisa variar o jogo e ter pelo menos umas três maneiras de jogar. Digo isso, porque é uma competição muito curta e rápida e não há tempo para errar. É aquela velha máxima: venceu segue, perdeu volta embora.
Os times do técnico Tite são sempre formados por uma linha de quatro zagueiros, já que ele adora laterais que não passem do meio-campo, mais um volante na frente dessa linha, um segundo volante que chegue na área de vez em quando, um meia que alterna de posição com o centroavante, dois pontas e um centroavante que saiba fazer pivô. Tudo muito pragmático.
Na teoria esse estilo de jogo, baseado num 4-3-3 que é na pratica um 4-2-3-1, é quase uma unanimidade, no entanto, na prática ele sempre vai enfrentar problemas quando enfrentar equipes que jogam mais fechadas. Os pontas ficam isolados no lado. O segundo volante fica perdido em uma zona neutra, o centroavante não recebe bola e o meia vai ficar sempre prensado entre os volantes os zagueiros adversários. É aquele momento em que o zagueiros e os laterais precisam criar e é ai que acontecem duas coisas: a primeira a criação fica ruim e a segunda eles precisam subir e abrem espaço para contra-ataques.
Se a Copa do Mundo fosse uma competição de pontos corridos, o Brasil seria campeão. Esse esquema é equilibrado e regular e os número do Tite, desde de 2016, provam. A Copa do Mundo, no entanto, é diferente. É matar ou morrer, e nesse sistema times pragmáticos costumam ir bem, mas dificilmente terão o brilho necessário para vencer. Falta algo. Falta a variação de jogo que surpreende o adversário.
O lateral que tabela com o ponta e chega no fundo para cruzar. O ponta que tabela com o meia e quebra as linhas adversárias, puxando a marcação pro meio para os laterais passem. O meia que pegue a bola na intermediária e encontre o passe em profundidade. São coisas básicas do futebol que não existem nos times pragmáticos do Tite. Se há espaço o time joga, se não há espaço, o futebol vai pro espaço.
A esperança é que a CBF acerte a mão na escolha do próximo técnico. Fala-se em Carlo Ancelotti. Para mim um grande nome, mas por se tratar da CBF, tudo pode acontecer. Até o Dunga ser chamado de novo.
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