Geral Rio Grande do Sul
Contrabando de soja preocupa pela possibilidade de sanções e surgimento de pragas
Quadrilhas têm se especializado em burlar as ações policiais
24/10/2022 13h00
Por: Editoria Local Fonte: Correio do Povo
Em 2022, Delegacia de Santo Ângelo já apreendeu 147,3 toneladas de soja contrabandeada (Foto: Divulgação | Polícia Federal)

A montagem de estruturas para contrabando de soja da Argentina através do rio Uruguai preocupa o chefe de Defesa Vegetal da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), Ricardo Felicetti, e o presidente da Associação de Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (APROSOJA), Carlos Fauth. Eles temem prejuízos à reputação do Estado junto a países importadores e a entrada de doenças e pragas.

De acordo com a Polícia Federal, só este ano a Delegacia de Santo Ângelo apreendeu 147,3 toneladas de soja contrabandeada, o que, somando-se às apreensões de 2020 e 2021, resulta em 552,7 toneladas.

Segundo Ricardo Felicetti, as quadrilhas têm se especializado em burlar as ações policiais, mas, este ano, a fiscalização nas fronteiras foi reforçada pela operação Agro-Hórus, desenvolvida especificamente para policiar crimes rurais na fronteira e que envolve a Brigada Militar, a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

— A inibição dessas práticas tem sido resultado da operação, mas permanecem portos clandestinos e estrutura de transbordo. Há uma logística clandestina bem estabelecida com foco no contrabando — diz o chefe de Defesa Vegetal da SEAPDR. — Nós temos observado um crescimento nas apreensões dos últimos anos, por conta de um aumento de restrição da Argentina e da logística para contrabando que se estabeleceu no rio Uruguai, área de difícil acesso para a fiscalização — afirma Ricardo Felicetti.

Para o presidente da APROSOJA, Carlos Fauth, a questão preocupa os produtores pela possível entrada de doenças, pragas e sementes invasoras que podem acarretar problemas, além do risco para a credibilidade do grão gaúcho, uma vez que não há controle sobre a soja contrabandeada, que vem a se misturar com a produção do Estado.

Ricardo Felicetti acrescenta que o contrabando favorece a entrada de resíduos de agrotóxicos que não são permitidos no Brasil, além de não oferecer garantias para quem utiliza o grão como semente. Segundo ele, esses problemas poderiam ser detectados por países importadores e resultar em sanções para a produção do Rio Grande do Sul.

Uma das pragas que preocupa o chefe de Defesa Vegetal da SEAPDR é a planta daninha amaranthus hybridus, que, anteriormente era controlada e agora vem aumentando seu grau de infestação de forma gradativa, entre a fronteira e o interior do Estado, em especial na beira de rodovias que são rotas de contrabando. — Isso é uma evidência de que ela estaria sendo trazida do exterior — reiterou Ricardo Felicetti.

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