Na última quinta-feira, 26, ocorreu em Tenente Portela, na comunidade de Alto Alegre um dia de campo para falar sobre a produção leiteira no município de Tenente Portela. A atividade é extremamente importante dentro do conjunto econômico do setor primário do município.
A atividade leiteira na região não é tão antiga. Ela foi introduzida por volta de 1988 quando o então deputado Hilário Braum, passou a incentivar os produtores da região a investir nesse ramo. Foram efetuados na época diversos projetos em parceira com a LBA, Legião Brasileira de Assistência, hoje órgão extinto, que repassou para produtores da região as primeiras cabeças de vaca leiteira.
Na época o Jornal Província recebeu uma denúncia que alguns agricultores acabarem carneando as vacas. A denúncia foi levada para o deputado Braum, que afirmou que as denúncias seriam apuradas, mas também disse que se das 100 vacas distribuídas, cinco restassem, o processo de introdução da bacia leiteira na região iria prosperar.
O deputado estava certo e no decorrer nas últimas três décadas a região se transformou numa importante matriz produtiva de leite, sendo essencial para que o Rio Grande do Sul alcançasse o posto de segundo maior produtor de leite do Brasil atrás apenas de Minas Gerais.
O cenário produtivo da região teve uma grande transformação na primeira década dos anos 200 e centenas de famílias entraram para o ramo, encontrando na atividade leiteira, em muitos casos, uma alternativa rentável para manter, principalmente as pequenas propriedades, que enfrentam maior dificuldade de subsistência quando investem no plantio de grãos.
Após 2010 o cenário voltou a sofrer uma transformação e por mais que a matriz produtiva de leite na região seguisse crescendo o número de famílias começou a diminuir. Os preços pagos aliados ao alto custo de produção passaram a diminuir a margem de lucro e isso fez com que muitas famílias de pequenos produtores deixassem a produção.
Outro fator importante no desenvolvimento desse ambiente foram os calotes sofridos por inúmeros produtores rurais, que acabaram entregando seus produtos para empresas que não horaram os pagamentos. Com a divida de produção nas mãos, muitas famílias encontram na venda do rebanho uma alternativa para sanar as dívidas.
O chefe da Emater/Ascar de Tenente Portela, José Rubens dos Santos, disse que é difícil fazer um diagnóstico no motivo que levou a uma redução no número de propriedades que deixaram a atividade leiteira, pois, cada um acaba tendo seus motivos, mas lembrou que a atividade é bastante trabalhosa, uma vez que não tem folga, feriado ou tempo ruim, é uma atividade constante.
Tenente Portela tinha em 2011, 520 propriedades que trabalhavam com a produção de leite, em 2022 esse número caiu 187, ou seja uma redução de mais de 65%. José Rubens acredita que esse número deve estabilizar a partir de agora, uma vez que entre 2021 e 2022 o número de famílias que deixaram a atividade foi de apenas 3.
Por outro lado a produção se mantinha e até crescia, mesmo com a redução no número de propriedades produtivas, pois os que ficaram acabaram se estruturando ao longo dos anos e aos poucos a atividade que era negocio alternativo para pequenos produtores, virou matriz produtiva para grandes produtores de leite, que melhoraram o tamanho e qualidade genética da rebanho.
Entre 2021 e 2022, no entanto, foi sentida a primeira cada em produtividade em Tenente Portela, que ficou na cada de 5%, isso é credenciado ao fato de alguns produtores grandes deixaram a atividade mais recentemente e isso impacta diretamente na produção, mesmo assim, o município produziu somente no ano passado o equivalente a 13 milhões de litros de leite.
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