Um áudio de 3 segundos enviado via WhatsApp é o motivo pelo qual a defesa de Alexandra Dougokenski pediu a anulação do processo e a liberdade da mulher que responde pela morte do próprio filho, Rafael Winkes, 11 anos, ocorrida em maio de 2020 em Planalto.
A gravação foi extraída do celular do pai de Rafael, Rodrigo Winkes, e segundo a defesa data de 15 de maio de 2020, enquanto a acusação sustenta que o menino foi morto entre a noite do dia 14 e a madrugada do dia 15. Se comprovado que o áudio é de Rafael e que foi enviado na noite do dia 15, para a defesa, o processo precisa ser anulado uma vez que quebra a linha do tempo do crime, inviabiliza a confissão da mãe e coloca o pai como suspeito da autoria.
No áudio uma voz de criança diz: “Sim, ela tá falando com a minha mãe ali.” Uma perícia particular, encomendada pela defesa, afirma que o áudio foi gravado no celular do pai no dia 15 de maio às 20h33min e que a voz é compatível com a voz de Rafael. A defesa sustenta também que familiares reconheceram a voz como sendo de Rafael.
O advogado de defesa Jean Severo sustenta a tese de que foi o pai e não a mãe que cometeu o crime e diz que a confissão da mãe foi movida por medo.
Para o Ministério Público essa hipótese não existe, e Alexandra é a autora do crime. Sobre o áudio os promotores sustentam que ele não foi gravado no celular do pai e sim encaminhado para ele por outra pessoa, não identificada, quando já estavam sendo feitas buscas pela criança que estava desaparecida. Para a acusação mesmo que o áudio de Rafael, é irrelevante, uma vez que foi gravado em outro momento e encaminhado ao pai naquele dia. A conclusão se baseia numa análise do Núcleo de Inteligência do Próprio Ministério Público.
Outro detalhe levantado pela acusação que isenta o pai do crime é que a Polícia Civil o investigou e concluiu que na data do crime, ou seja, 14 e 15 de maio, ele não estava em Planalto e sim em Bento Gonçalves, onde reside e trabalha, e somente se deslocou para Planalto no dia 16, quando foi comunicado do desaparecimento do menino.
Uma das provas mais contundentes contra a mãe é a confissão que ela fez na Polícia Civil. Enquanto eram realizadas buscas pelo menino, Alexandra demonstrou comportamento que chamou a atenção das autoridades que passaram a investigá-la, até que ela confessou o crime e indicou que o corpo estava em uma caixa de papelão, na área de uma residência próxima da sua, envolto em um pano e com retalhos de tecido sobre o corpo. Alexandra também detalhou como ocorreu o crime em si e a maneira com que o corpo foi transportado e ocultado.
A confissão de Alexandra é crível uma vez que o corpo do menino estava no local e nas condições que ela havia indicado e a perícia ainda apontou que os vestígio deixado no cadáver são compatível com os métodos apontados por Alexandra como sendo os usados para matar e transportar o menino de 11 anos.
O Judiciário deu vista ao MP para que se manifeste sobre a perícia particular e sobre os pedidos realizados pela defesa. Após essa etapa, a juíza Marilene Campagna deve tomar nova decisão sobre o caso. Ainda não há nova data para o julgamento do processo.
Entre os peritos responsáveis pela análise do aúdio estão o chileno Sérgio Saldías e Ricardo Caires dos Santos que, em 2014, estiveram entre os responsáveis por realizar um parecer sobre a morte de Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo Boldrini. O garoto que vivia em Três Passos foi encontrado morto em março de 2014. O pai, a madrasta e mais duas pessoas foram condenadas pelo crime.
Após o assassinato do neto, a avó Jussara Uglione contratou os peritos para verificar se a filha havia realmente se suicidado, como havia concluído a polícia. A perícia particular apontou que a mãe de Bernardo poderia ter sido assassinada. A investigação do caso acabou reaberta, por determinação da Justiça. No entanto, a nova apuração, que incluiu a exumação do corpo da enfermeira, concluiu que Odilaine havia realmente se suicidado.
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