Educação Coluna
A Prática pedagógica e o desafio do paradigma emergente
Proposta de Formação de Professores
23/02/2022 15h36
Por: Fonte: Ricardo da Silveira de Jesus
Fonte: Appfoz.com.br

O presente texto propõe uma proposta de formação de professores baseados nos referenciais epistemológicos e pedagógicos, alinhados as concepções de ensino, visão sistêmica ou holística, abordagem progressista e ensino com pesquisa, abordando também de forma critica outras referências bibliográficas.

Segundo Hilda Maria Martins Bandeira, pensar em educação pressupõe pensar a formação docente e a prática pedagógica com qualidade. Para tanto se faz necessário entender a formação do professor para o desenvolvimento dos saberes docentes, o que exige qualificação, valorização profissional e políticas adequadas, considerando o lócus de trabalho do professor.

O educador Freire já se referiu à formação como um fazer permanente que se refaz constantemente na ação. Decerto que a formação não se dá por mera acumulação de conhecimentos, mas constitui uma conquista tecida com muitas ajudas: dos livros, mestres, das aulas, das conversas entre professores, da internet, dentre outros. É possível compreender que o conceito de formação é suscetível de múltiplas perspectivas, mas tem sido recorrente associar o conceito ao seu desenvolvimento pessoal e profissional.

A formação dos professores é apontada como uma das principais responsáveis pelos problemas da educação. Ainda que tenha ocorrido uma verdadeira revolução nesse campo nos últimos vinte anos, a formação deixa muito a desejar, há ainda grande dificuldade em se por em prática, concepções e modelos inovadores.

Segundo Marilda Aparecida Behrens, na realidade cabe aos educadores oferecer formação docente com a preocupação de dar suporte e desencadear a reflexão com os professores sobre soas práticas pedagógicas. Os processos de investigação e de pesquisa precisam contemplar uma articulação das práticas pedagógicas dos professores, provocar a discussão da problematização e realizar concomitantemente a leitura e a reflexão crítica de textos e artigos que apresentem as abordagens inovadoras.

Um dos problemas na educação é que os professores vêm sofrendo uma forte influencia do paradigma newtoniano-cartesiano que caracterizou a ciência no século XIX e grande parte do século XX. Caracterizada pela fragmentação, a prática pedagógica propõe ações mecânicas aos alunos, provocando um ensino assentado no escute, leia, decore e repita.

Nessa perspectiva o educador acaba conduzindo os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado e a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Na visão “bancária” da educação o “saber” é uma doação dos que julgam sábios aos que julgam nada saber. Na medida em que esta visão “bancária” anula o poder criador dos educandos estimula sua ingenuidade e não sua criticidade, sendo assim satisfaz os interesses dos opressores. A proibição do pensar verdadeiro é uma das táticas da educação “bancária” burguesa e reacionária.

No fundo, todas as experiências e as teorias identificadas com as características da educação e pedagogia autoritária e capitalista apontam para uma condição-função homológica do ser humano em termos de duas capacidades e possibilidades sócio-cognitivas, baseiam-se numa educação e pedagogia que procura formar, treinar, domesticar, desenvolver e aperfeiçoar o individuo desde o seu nascimento até a morte, permitindo-lhe funcionar como objeto de aperfeiçoamento sistemático no acesso ao conhecimento e constrangendo-o sempre a assumir um caráter competitivo, concorrencial, hierárquico e castrador.

A preocupação centra-se na preposição de uma prática pedagógica inovadora, que utiliza a tecnologia como instrumento para tornar os alunos críticos, reflexivos em suas áreas de atuação. Já os paradigmas conservadores caracterizam uma prática pedagógica que se preocupa com a reprodução do conhecimento, fortemente influenciada pelo paradigma da ciência newtoniana-cartesiana, a ação docente apresenta-se fragmentada e assentada na memorização, na cópia e na reprodução.

A opção por uma pesquisa-ação é a de ultrapassar o discurso e oferecer uma vivência sobre a proposta que está se descortinando no grupo. Acredita-se que a chance de alterar um paradigma pedagógico vem aliada à criação de espaços coletivos para a discussão dos pressupostos teóricos e práticos que caracterizam uma opção metodológica. Um professor não altera não altera sua prática pedagógica, se não estiver convencido de que será um ato significativo na sua relação ensino-aprendizagem.

Não podemos esquecer-nos da importância da discussão sobre a atuação dos professores em sala de aula, aluno, professor, metodologia, escola, avaliação. A elaboração com fundamentação teórica e da experiência vivenciada dos professores pesquisadores pode proporcionar os avanços e apresentar sua contribuição na tomada de decisão para reconstrução de sua prática pedagógica.

A visão sistêmica ou holística busca a superação da fragmentação do conhecimento, o resgate do ser humano em sua totalidade, considerando o homem com suas inteligências múltiplas, levando à formação de um profissional humano, ético e sensível. Segundo Behrens, Moran e Masseto (2000,p.92).

A pesquisa é importante e significativa, pois possibilita aos envolvidos no processo refletirem sobre o papel do professor na prática pedagógica e como sua opção paradigmática de ensino se reflete no trabalho educativo. Sem compreender o que se faz, a prática pedagógica é mera reprodução de hábitos existentes.

Os professores atribuem significados e aprendem a partir das suas experiências vivenciadas como aluno envolvido em processo de formação continuada e como professor, em suas atividades cotidianas em sala de aula. O desafio de mudar o paradigma da abordagem pedagógica proposta em sala de aula depende da superação dos paradigmas conservadores e da gradativa inserção do paradigma emergente, que nesse momento histórico, vem se colocando, se interconectando e se reconstruindo a partir do paradigma vigente.

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